Quarta-feira, 17 de janeiro de 2024 - 11h14

Um lote de tilápia importada do Vietnã chegou ao Brasil em dezembro de
2023, causando muita preocupação à Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe
BR) e à cadeia da produção de peixes de cultivo como um todo.
“Não temos informações se o lote passou por todas as análises de riscos
sanitários, de maneira a garantir sua segurança para consumo. Da mesma forma,
não conhecemos o processo de criação e de processamento da tilápia no
Vietnã, o que também consideramos preocupante”, ressalta Francisco Medeiros,
presidente da Peixe BR.
“Também temos muitas dúvidas sobre o custo da importação, tendo em vista
que os valores pagos são inferiores ao custo de produção no Brasil. Isso
é dumping”, assinala o dirigente.
“Além disso, a importação em si causa muita estranheza, já que o Brasil
é o quarto maior produtor mundial de tilápia, cultiva a espécie seguindo os
mais rígidos critérios de boas práticas – incluindo alimentação balanceada e
controle sanitário. A tilápia brasileira prima pela qualidade e é, sem dúvida,
uma das melhores do mundo. E a oferta interna cresce ano após ano”, complementa
Medeiros.
O presidente executivo da Peixe BR também questiona a importação,
considerando o desenvolvimento e a importância econômica e social da cadeia da
produção de tilápia no Brasil. “A piscicultura brasileira é uma atividade em
expansão, que reúne mais de 1 milhão de produtores – sendo a expressiva maioria
de pequenos – e gera igualmente cerca de 1 milhão de empregos. A
representatividade social da atividade é gigantesca. A importação pode
comprometer a própria sobrevivência de pequenos piscicultores”.
A Peixe BR está em contato permanente com o Ministério da Pesca e
Aquicultura, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério do Trabalho
e do Emprego para saber se foram realizadas todas as análises de risco
sanitário necessárias e entender os motivos da importação.
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