Quinta-feira, 23 de abril de 2026 - 07h20

O
Brasil não vive sem novelas. Por mais que na TV elas estejam repetitivas – e se
repetindo – na política elas rendem votos e por isso não levam jeito de um dia
terminar. Além da rede de intrigas em torno do Banco Master, em que os acusados
no governo e na oposição tentam aparentar ser menos culpados que os
adversários, cresce de intensidade a novela em torno das terras raras.
Novela
que, na verdade, não começou agora, pois desde o Império, em 1886, já se fazia
com estardalhaço a extração de monazita nas praias da Bahia. A questão é se
elas serão controladas pelo Estado brasileiro ou por interesses estrangeiros.
Envolvidos nas mesquinharias da polarização, nem “esquerda” nem “direita” deram
conta no governo de perceber que o Brasil tem a segunda maior reserva de TRs do
mundo, só atrás da China, que tem nelas a arma nada secreta de sua explosão de
progresso.
O
que deveria ter sido feito nos últimos 50 anos só agora volta à cena, e o
atraso nessa discussão se revela na Amazônia, onde a exploração das TRs começou
sob controle estrangeiro. A empresa BBX do Brasil, subsidiária da australiana
BBX, desenvolve seu projeto mineral em Apuí, no sul do Amazonas, isso depois
que a mineradora Taboca, em Presidente Figueiredo, foi vendida para a chinesa
CNMC, com foco na exploração de TRs. Como são projetos de longo prazo, com
certeza a novela se estenderá no mínimo até a próxima década.
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Eleições 2026
Com
a definição dos quatro principais candidatos ao governo de Rondônia, estão formados
os blocos mais expressivos para a peleja 2026. O primeiro bloco é liderado pelo
candidato do PL, senador Marcos Rogério, o nome ungido pela família Bolsonaro
em Rondônia. O segundo bloco tem na cabeça de chapa o ex-prefeito de Porto Velho
Hildon Chaves, da federação União Progressista, aliada ao Republicanos e PSDB.
3- No terceiro bloco está o candidato do PSD Adailton Fúria, que tem como força
motriz o apoio do governador Marcos Rocha unido a legendas médias e nanicas e
com a maior chapa e postulantes à Assembleia Legislativa. É o candidato chapa branca.
4- No quarto bloco temos postulante do PT Expedito Neto com os partidos da Caravana
Esperança.
Fazendo as contas
Enquanto
se espera a confirmação de outras postulações nas convenções partidárias, como
a de Samuel Costa do PSB já em campo, os agrupamentos políticos estão fazendo
suas contas. O favorito nas pesquisas, o senador Marcos Rogério espera crescer
ainda mais com o apoio do ex-presidente de Jair Bolsonaro e faturar a peleja em
turno único. Existe a clara intenção dos demais candidatos estender as eleições
a um segundo turno e então todos unidos levar a melhor sobre as forças bolsonaristas.
As articulações seguem neste caminho. O governo Lula e o governador Marcos Rocha
jogam com dois candidatos nesta eleição: Adailton Fúria (PSD) e Expedito Neto,
do PT, que mais adiante podem se unir.
Esquerda conservadora?
O
que se vê na campanha 2026 ao governo de Rondônia é uma esquerda bem rachada
que pode se dividir mais ainda com um candidato da aliança MDB/PDT. Por este
segmento de esquerda e centro esquerda temos as candidaturas do ex-deputado federal
Expedito Neto, vestindo um traje conservador para se tornar palatável ao eleitorado
de Rondônia, o postulante do PSB, Samuel Costa e o candidato do PSOL, Luís
Carlos Teodoro. Os últimos dois mais identificados com os ideais de Lula e dos
vermelhinhos já que o petista Expedito Neto afirma que o PT e os petistas são
conservadores - o que deve ter revoltado os vermelhinhos rondonienses.
A ponteira
Nos
meios políticos não se discute quem tem a ponteira na disputa pelo Cetro Político
e Administrativo, o nosso glorioso CPA. A ponteira é do senador Marcos Rogério.
A grande maioria dos candidatos – exceto Rogério que acredita em vitória em turno
único - acreditam que teremos eleições em dois turnos e o nome que chegar a
segunda etapa contra o postulante bolsonarista leva a melhor. Neste momento o
postulante Hildon Chaves, liderando as intenções de votos na capital é o adversário
mais provável de Rogério num eventual segundo turno. No entanto, a azeitada máquina
do governador Marcos Rocha começa a entrar em campo, apoiando o ex-prefeito de
Cacoal Adailton Fúria, o candidato chapa branca.
Chances reduzidas
Por
enquanto as chances da esquerda e centro-esquerda nas eleições majoritárias em
Rondônia estão bem reduzidas. Reduzido a pó pelo bolsonarismo nos últimos
pleitos, o PT e os partidos de esquerda se dividiram ainda mais e com isto, sem
competitividade com os postulantes de ponteira. Os partidos deste viés teriam
alguma chance caso se unissem contra os candidatos da extrema direita e centro
direita, mas fazem uma aposta. Mas os petistas acreditam que o presidente Lula
conta com pelo menos 30 por cento dos votos em Rondônia e se isto for transferido
para seu candidato local, Expedito Neto entra num previsível segundo turno.
Via Direta
*** Uma boa notícia na BR-319: a nova
ponte sobre o rio Autaz Mirim deverá ser liberada para o tráfego já na semana
que vem, conforme anuncio do senador Eduardo Braga (AM). Como se recorda, a
ponte desabou devido uma cheia em 2022 *** Por falar na BR-319, que liga Porto Velho a
Manaus, o tráfego é intenso e além as empresas de transportes de passageiros,
como a Eucatur, os taxis lotação e vans lotação se jogam-no trajeto numa baita
pirataria *** A candidatura do tal Bruno
Scheidt ao Senado, que usa o nome do presidente Jair Bolsonaro em Rondônia não
colou e dividiu as forças conservadoras. Desgaste para o segmento.
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