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Carlos Sperança

ORELLANA NO RIO MADEIRA



ORELLANA, O PRIMEIRO EXPLORADOR

O primeiro explorador da Amazônia, Francisco de Orellana, foi beneficiado por uma espécie de nepotismo espanhol. Nascido em Trujillo, Espanha, provavelmente em 1490, ele era aparentado do conquistador Francisco Pizarro. Chegou à América muito jovem, aos 16 anos, e em 1527 se instalou na região onde hoje fica a Nicarágua.

Em 1533, uniu-se às tropas de Pizarro, que completava a conquista do Peru. Participou do assédio de Cuzco e, nos conflitos que surgiram entre os espanhóis, apoiou a causa dos seus familiares. Em 1535 participou, juntamente com Francisco Pizarro, da fundação da cidade de Guayaquil (1538). Como recompensa, recebeu de Pizarro os cargos de governador e capitão general de Guayaquil. Entre 1540 e 1541, integrou a expedição de Gonzalo Pizarro que explorou o rio Napo; em seguida, prosseguiu com alguns homens até ao vale do rio Amazonas, tendo sido o primeiro a percorrer integralmente o curso deste rio, desde os Andes ao oceano Atlântico.

Afirma-se que esta expedição de Orellana, polêmica, em 1535, penetrou pela foz do rio Orinoco. Subindo-o, descreveu que numa única viagem, num incrível emaranhado de rios, e afluentes, teria encontrado o rio Cachequerique – raríssimo e incomum fenômeno fluvial que une o rio Orinoco ao rio Negro e daí ao Amazonas.

Ao regressar a Espanha, relatou ao rei a viagem, e conseguiu dele a concessão das terras que havia descoberto. Orellana, assim, tornou-se o primeiro explorador conhecido a percorrer o rio Amazonas em toda a sua extensão, especialmente porque teve o cuidado de levar consigo alguém para documentar seu feito. Frei Gaspar de Carvajal descreveu a viagem empreendida por Orellana em 1541 e 1542 pelo maior rio do mundo, ajudando a recriar a lenda das mulheres guerreiras, as amazonas da mitologia grega clássica, origem do nome do grande rio, que, a rigor, poderia se chamar “Icamiabas”.

As icamiabas eram as índias que dominavam a região próxima ao rio Amazônas, riquíssima em ouro e objeto do desejo dos espanhóis. Orellana as descreveu como mulheres altas e brancas, que andavam nuas e portavam apenas o arco-e-flecha, habitavam casas de pedras e acumulavam metais preciosos. 

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Trujillo (Espanha), a cidade natal de Orellana, orgulha-se da “descoberta do rio Amazonas/Revista Momento


Em 1540, Orellana se incorporou a expedição que Gonzalo Pizarro empreendeu em busca do El Dorado. Ao fracassar a empresa, Orellana embarcou com um grupo de expedicionários seguindo o curso dos rios Coca e Napo, lançando-se na conquista de novas terras em nome do rei da Espanha. Alcançou as caudalosas águas do Marañón e chegou a Machifaro, capital do país dos Omáguas. Seguiu rio abaixo e descobriu a tripla desembocadura do Purus, que chamaram de Rio de La Trinidad.

Quando Orellana desceu o rio em busca de ouro, descendo os Andes (em 1541) o rio ainda era chamado de Rio Grande, Mar Dulce ou Rio da Canela, por causa das grandes árvores de canela que existiam ali. A belicosa vitória das icamiabas contra os invasores espanhóis foi tamanha que o fato foi narrado ao rei Carlos V, o qual inspirado nas antigas guerreiras hititas ou amazonas, batizou o rio de Amazonas, nome dado pelos gregos às mulheres guerreiras.

Em uma das expedições, Orellana perdeu um olho. Partiu (1541) em busca de ouro e canela seguindo o curso do rio Coca, depois do Napo ele atingiu a confluência do Napo com o Marañón ou Amazonas (1542) e decidiu explorar o rio. Depois de ultrapassar a foz do rio Negro, chegou ao legendário domínio das Amazonas, chamado por ele de “Rio Grande das Amazonas”.

Foi uma aventura cheia de dificuldades e mortes de vários homens dentre os cinqüenta que o acompanhavam. Os sobreviventes alcançaram o oceano Atlântico em 26 de agosto de 1542, daí seguindo para a Espanha. Como nessa época, a Espanha discutia com Portugal os limites territoriais na América fixados pelo Trato de Tordesilhas, a Corte não apoiou sua proposta de voltar ao Amazonas para reclamar e colonizar as terras descobertas.

Já sem apoio da Coroa espanhola, em maio de 1544 Orellana saiu de Sanlúcar de Barrameda com quatro navios e 400 homens, mas a nova expedição revelou-se um fracasso: só dois navios chegaram ao Amazonas e mesmo estes tiveram de ser desmontados. Orellana morreu em um naugrágio a bordo de um bergantim, provavelmente nas proximidades de Macapá, em 1546, quando tentava retornar à Europa. 

 

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Roteiro da grande aventura: a sequência da jronada foi rejeitada pela coroa espanhola´, já em negociações em Portugral/Revista Momento

ORELLANA NO RIO MADEIRA

O cronista da expedição, frei Gaspar de Carvajal, teve seu relato concluído ainda em 1542, ao final da dramática viagem de Francisco de Orellana,mas seria publicado parcialmente apenas em 1855 e totalmente em 1895, pelo historiador chileno José To¬ribio Medina. 

No relato consta que em 5 de junho de 1542, depois de meses navegando pelo rio através do território dos Omáguas e tribos vizinhas, o barco de Orellana chegou a uma espécie de vila na qual pagou tributo às amazonas. 

Orellana subiu o rio Madeira, que chamou de "Rio Grande" por causa de seu tamanho. Nas margens do rio, viram cabeças humanas exibidas como troféus em estacas ou mesas. Ele e seus homens desembarcaram diversas vezes para se abastecer de suprimentos, saqueando as vilas pelas quais passavam. Numa delas, depois de os habitantes se esconderem em suas cabanas, Orellana mandou queimá-Ias. O lugar ficou sendo chamado de "Pueblo de los Quemados" (Cidade dos Queimados). 

Segundo o relato, a expedição! foi atacada pelas Amazonas em de junho de 1542. Atiraram tantas flechas que os barcos "pareciam porcos-espinhos". Uma das flechas o atingiu num olho, causando sua perda. Na metade de julho, Orellana alcançou o rio Xingu. Depois de fazer reparos numa embarcação na ilha de Marajó a flotilha entrou no Oceano Atlântico em 26 de agosto de 1542, exatamente oito meses depois da partida.

Fonte: Revista Momento/Edição 55 - 
Editada pelo jornalista Carlos Sperança e Beto Grutsmacher

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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