Quarta-feira, 13 de maio de 2026 - 07h45

Bagé, RS, 13.05.2026
Vamos continuar reproduzindo as
reportagens da Revista Manchete:
Manchete
n° 973, Rio de Janeiro, RJ
Sábado, 12.12.1970
Assim se Combate a Guerrilha
(Reportagem de
Jones Melo)
As Tropas do IV Exército
Deslocaram-se Para a Serra Talhada, no Sertão Pernambucano, Encerrando com Grandes
Manobras Conjuntas o Período de Instrução Deste ano
Junto às Manobras Funcionou a Operação Cívico-Social com Assistência Médica, Escolar e Agrícola

Tanques de guerra, canhões, aviões B-26 da FAB invadiram da noite para o dia aquela faixa de terra nordestina. Tropas da Bahia, Paraíba, Ceará e Pernambuco lançaram-se, a princípio, em deslocamentos discretos. Depois, as ações foram aceleradas e o inimigo conduzido a um único ponto. Acuados em vários focos, situados sobretudo nos eixos Parnaíba-Teresina (Piauí), Salvador-Ilhéus (Bahia) e Patos-Cajazeiras (Paraíba) ou na Zona do Cariri (Ceará), os “guerrilheiros” acabaram todos bloqueados na região de Serra Talhada.
A serra do Serrote era o ninho da guerrilha. Cercados, os “subversivos” puseram em prática um tipo de ação psicológica que procurava conquistar o homem comum e os próprios Soldados do Exército. Demonstraram muita tranquilidade inicial e com isso conseguiram alguma superioridade nas ações.
À maneira das cantigas de violeiros, utilizando-se de técnica semelhante à dos versos dos folhetos de feira, os “guerrilheiros” tentavam baixar o moral das tropas de infantaria, que se denominara Brigada do Pajeú. Um dos panfletos tinha o seguinte texto:
Sou cangaceiro do Norte / Se canto é por vocação / Nesta guerra vale tudo, / Psicologia ou ação; / Baixo crista de machudo / No tapa ou na gozação: / Brigada de pau de arara, / Que se batizou Pajeú, / Quando o pau cantar no morro, / Macaco vira tatu.
Por sua vez os aviões da FAB jogavam sobre os arredores de Serra Talhada (serra do Serrote, sobretudo, e morro do Cruzeiro, serra Verde e morro das Pílulas) os seguintes panfletos:
As tropas do Exército Nacional acabam de apertar o dispositivo de cerco à distância mínima de segurança, para iniciar o bombardeio da aviação, da artilharia e dos morteiros. Todo o Nordeste está pacificado. É inútil o seu sacrifício.
Paralelamente às manobras funcionava a Operação Cívico-Social. As casas de Serra Talhada e Triunfo foram pintadas. Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco integraram-se no setor médico-hospitalar do Exército, assistindo as crianças, velhos e doentes em geral da região. Criou-se uma nova escola. Agricultores ganharam material de trabalho. Com isso, crescia a resistência aos “guerrilheiros”. O povo já orientava os Soldados legalistas no avanço pelas caatingas. Um “guerrilheiro” entregou-se depois de ler o seguinte panfleto:
Você, vivo, será útil à sua família e à reconstrução de nossa Pátria. Ass. Cmt da Brigada de Pacificação.
Entregou-se e deu detalhes de um plano para bombardear o posto de comando, numa operação suicida. Foram lançados, então, salvo-condutos, numa tentativa de rendição do inimigo “sem derramamento de sangue”. Em cada salvo-conduto, a seguinte inscrição:
A qualquer guerrilheiro portador deste documento deve ser assegurada por todos os integrantes do IV Exército a proteção necessária à sua integridade física e moral.
Instruções aos guerrilheiros: guarde consigo este salvo-conduto. Ao encontrar um combatente do Exército levante os braços segurando este documento; aos Soldados: cumpra as prescrições deste salvo-conduto e conduza o portador imediatamente ao seu Comandante.
No final:
Quartel-General do IV Exército. Ass. Artur Duarte Candal da Fonseca, General-de-Exército, Comandante do IV Exército; General Amadeu Martire, Chefe do Estado-Maior do IV Exército.
Os “guerrilheiros” irritaram-se com os salvo-condutos e iniciaram intenso fogo de artilharia. O comando legalista transmitiu uma nova ordem: destruir o inimigo. Em pouco tempo, então, bombardeio aéreo, foguetes, metralhamentos, morteiros e tiros de fuzis liquidaram os amotinados.
Surgiram bandeiras brancas com a chegada do 7° Esq. Rec. Mec. O Estado-Maior do Exército e a própria Escola de Comando e Estado-Maior presenciaram os exercícios, com 150 Oficiais-Alunos estudando no local a concepção de princípios brasileiros, com características regionais, na defesa da segurança interna.
Os comandantes das Regiões Militares localizadas na área (6ª, 7ª e 10ª) apresentaram crítica das manobras em seus territórios, críticas aprovadas pelos Comandantes: Generais Artur Candal da Fonseca, do IV Exército; Duque Estrada, da Brigada Pajeú; Ariel Pacca Fonseca, da Escola de Comando e Estado-Maior; Amadeu Martire, Chefe do EM do IV Exército; Délio Barbosa, do 1° Grupamento de Engenharia de Construção de João Pessoa, e Abdon Sena, da 6ª RM (Fortaleza). Foi ressaltada a colaboração da PM de Pernambuco no Recife (guerrilha urbana) e na cidade sertaneja de Salgueiro, onde fica a sede de um Batalhão. Um desfile de todos os participantes tomou conta de Salgueiro no último dia. As ruas mal calçadas ficaram cheias de panfletos:
Nosso Exército cumpre mais uma vez seu dever de se preparar permanentemente para o cumprimento de sua missão de defesa da Pátria e de instrumento da ordem e do progresso. Agradecemos a feliz oportunidade de privar, durante estes dias, com esta gente boa, hospitaleira, religiosa, profundamente patriótica e autenticamente brasileira.
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY
https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos
Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
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