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Hiram Reis e Silva

O EQUÍVOCO DO GEN ADEMAR


O EQUÍVOCO DO GEN ADEMAR - Gente de Opinião

Bagé, 14.07.2022

Mais uma vez tenho a honra de repercutir um artigo de meu Mestre Higino Veiga Macedo, editado em março de 2012.

O EQUÍVOCO DO GEN ADEMAR

(Cel Eng Higino Veiga Macedo)

Somos um instrumento do Estado brasileiro a serviço do governo eleito democraticamente.
(General Adhemar da Costa Machado Filho)

O nosso general, por ter passado muito tempo no CComSEx perdeu o tino de combatente; aliás não lhe era muito o forte essa vocação. Ele foi aspirado ao “status quo” pelo desempenho do pai, este sim compe­tentíssimo.

Nós somos instrumento da NAÇÃO BRASILEIRA à disposição do Estado. Todos os juramentos de praça e de oficias são para a Bandeira do Brasil, símbolo nacional. Não a símbolo Estatal, Estadual ou outro derivado. Portanto, não é a “símbolo de governo”, seja democrático, autocrático, aristocrático, meritocrático... que se faz juramento. Tomara que a tradição não seja quebrada e espero que dure infinitamente. Se não houver a assimilação do “ente” NAÇÃO, as FFAA serão milícias partidárias: SS, SA, NKVD...

Ele, o General, está redondamente enganado. O general, sim, é produto de governo: foi promovido pelo presidente, que é o administrador (executivo) ali colocado por um partido político com programa de governo.

Quem é escolhido, no sistema presidencialista de modo chamado democrático é o EXECUTIVO (presidente) e LEGISLATIVO e não o “governo”. O governo é diretriz de partido(s). Tanto que os intelectuais mandam que se tenha atenção no PROJETO DE GOVERNO dos partidos. Os “esquerdos”, ou por ignorância ou por má intenção, colocam tudo num mesmo saco: presidente e governo. Com isso justifica, como fez o general, ser o governo escolhido pelo povo.

Numa República, a escolha do presidente infere-lhe duas “serventias”: Executivo e “Chefe de Estado”. Como executivo, administra; como Chefe de Estado, é o ente nacional que “representa a nação organizada” – o Estado. Chefe de Estado é representativo; Chefe de governo (executivo) é delegação de poder. Não é a Nação.

A escolha do presidente é democrática, porque se tem liberdade e não ao contrário. Basta ver os amigos da Dilma: Fidel é eleito pelo povo, portanto democraticamente, pouco importa se é moral, mas é legal; lá tem liberdade? Parece que não. Chaves é eleito pelo povo, portanto regime democrático; há liberdade? Um pouco mais que Cuba. Portanto, a liberdade sempre permite eleições democráticas (escolha dos administradores); eleições democráticas nem sempre geram liberdade, como arrotam nosso intelectuais.

O fato – administrar um ente coletivo – toma o nome de governo; como governa uma nação organi­zada, então o presidente administra (governa) o Estado Brasileiro. Presidente da República (administrador) não é figura nacional, representante da nacionalidade; não é um Símbolo Nacional.

Por consequência, ele é só Chefe do Estado e Executivo. Em nenhum documento está escrito que o Chefe de Estado é o ente Nacional, ou símbolo Nacional. Nem por filosofia, nem por princípios ideológicos e nem por princípio doutrinário. Se assim fosse, seria um retrocesso: seria o rei como a nação; seria o chefe de estado por ser o administrador (executivo). E o espírito liberal se livrou do rei exatamente por isso não ser verdadeiro: o rei ser o ente nacional. O iluminismo dividiu o poder do rei com a república em três fatias.

Portanto, o general, num arroubo “militriótico” (milico-patriótico), está equivocado: o militar é braço armado da Nação. Não é instrumento de Estado.

Sic Cogito ([1])

 


 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989)

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO)

Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);

Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS)

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN).

E-mail: [email protected].



[1]    Penso que sim.

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