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Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

Persona non grata II


Persona non grata II - Gente de Opinião

Bagé, RS, 20.05.2026

 

Vejamos, a seguir, um exemplo do que hoje classificaríamos como “fake news” arquitetado por um desses pérfidos antropólogos:

 

 

O Território dos Waimiri-Atroari e o Indigenismo

 

Empresarial (páginas 17 e 18)

 

UNB – Brasília, DF –1993

[Stephen Grant Baines]

 

 

Um militar, Capitão do 6° BEC, que acompanhava o General Euclydes de Oliveira Figueiredo e representantes da Paranapanema em suas visitas à esta área indígena, organizou reuniões em Manaus em 1983, apoiando a proposta da Paranapanema de financiar a implantação de fazendas modelo em troca de autorização para realizar pesquisa e lavra de mineração dentro da área indígena através de acordos diretos entre a empresa e os Capitães Waimiri-Atroari com o pagamento de royalties. (BAINES, 1993)

 

Minhas reportagens a respeito do tema, sob o título “Resgates Históricos? Por quê?”, foi publicada no jornal digital ClicNews em 08.08.2011, reproduzida no FAPESP, no Blog Póstumo do Giulio Sanmartini no dia 15.08.2011 dentre outros, e sob cabeçalho “Indígenas e o Direito de Mineração” no jornal Gente de Opinião de 02.10.2011 entre outros... Foi também repercutido no meu livro “Desafiando o Rio-Mar – Descendo o Negro” editado pela AMZ Editora, em 2015.

 

Desafiando o Rio-Mar – Descendo o Negro

Caxias do Sul, RS – 2015

[Hiram Reis e Silva]

 

Os antropólogos de hoje, ideologicamente comprometidos, fundamentam suas “teses” e “laudos antropológicos” em posicionamentos ideológicos carregados de posturas pré-concebidas e não em fatos e comprovações científicas. O “Dr.” Stephen Grant Baines é apenas um exemplo destes famigerados antropólogos estrangeiros que são acolhidos pelas hostes entreguistas que vicejam neste País a soldo de interesses alienígenas. [...]

 

A inspeção, em julho de 1983, do Gen Euclydes de Oliveira Figueiredo, Comandante do Comando Militar da Amazônia (CMA), foi uma inspeção de rotina à uma Unidade Militar sob seu Comando e faziam parte da comitiva os militares do comando do CMA, 2° Grupamento de Engenharia de Construção e do 6° BEC.

 

A verdade é que o Ministro Extraordinário para Assuntos Fundiários General Danilo Venturini, em agosto de 1983, determinou ao Comandante do 6° BEC, Coronel de Engenharia Ornélio da Costa Machado, que realizasse estudos junto às Comunidades Nativas para verificar da possibilidade de exploração de minérios em terras Indígenas por empresas privadas. (REIS E SILVA, 2015)

 

Qual não foi minha surpresa encontrar um documento mais atual do tal Baines em que ele usa as mesmas palavras de meus artigos e livro, alterando radicalmente o seu texto de 1993, sem ter qualquer prurido de deixar de citar a autoria de sua fonte.

 

Mineração e Usinas Hidrelétricas em Territórios de Povos Indígenas e de Outras Populações Tradicionais na Região Amazônica: A Necessidade de Novas Críticas Epistêmicas

 

29ª Reunião Brasileira de AntropologiaNatal, RN – 03 a 06.08.2014

[Stephen Grant Baines]

 

Em reuniões realizadas em Manaus, entre representantes (?) do 6° Batalhão de Engenharia de Construção [6° BEC] do Exército ([1]) representantes do Grupo Paranapanema e da FUNAI, organizadas por um Capitão do ([2]), o mesmo afirmou que o Ministro Extraordinário para Assuntos Fundiários General Danilo Venturini, em agosto de 1983, determinou ao Comandante do 6° BEC, Coronel de Engenharia Ornélio da Costa Machado, que realizasse estudos junto às Comunidades Indígenas ([3]) para verificar da possibilidade de exploração de minérios em terras Indígenas por empresas privadas. ([4]) (BAINES, 2014)

 

Jornal do Comércio, n° 33.156 ‒ Manaus, AM

Sábado, 07.01.1984

Euclydes Inaugurou a Escola Indígenacom o Nome de seu Pai

 

O General Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho, Comandante da Escola Superior de Guerra, inaugurou, ontem, às 12h, o Centro Educacional “Euclydes de Oliveira Figueiredo”, localizado na reserva dos Índios Waimiri-Atroari, no quilômetro 270, da BR-174 [Manaus-Caracaraí]. O Centro Educacional é fruto de um pedido pessoal do Chefe Indígena Viana Iwandrera ao General Euclydes, quando este visitou aquela Comunidade ainda como Comandante do Comando Militar da Amazônia ‒ CMA. O Comandante da ESG, acompanhado do Comandante da Base Aérea de Manaus, Cel Acir Rebelo, do Comandante do 2° Grupamento de Engenharia de construção, General Luiz Gonzaga de Oliveira, do General da reserva Mário Humberto Cardoso da Cunha, do Superintendente Regional de Produção da Mineração Paranapanema Junhici Tomita e do Delegado Regional da FUNAI, Kazuto Kawamoto, desembarcou no aeroporto do Núcleo de Apoio Waimiri-Atroari poucos minutos antes das 11h.

 

Em seguida, foram para o Posto Indígena de Terraplenagem, onde fica localizado o Centro Educacional “Euclydes de Oliveira Figueiredo”. O General Euclydes e sua comitiva, a convite do Chefe Indígena Viana percorreram vários núcleos de plantações diversificadas por eles cultivadas. Conheceram ainda a Comunidade de “Jawara”, composta por 5 malocas, habitadas por 34 Índios Atroari. O ex-Comandante do CMA ficou impressionado com a diversificação das culturas de subsistência dos Atroari. Sempre cercado pelos Índios, na sua maioria crianças e mulheres, Euclydes Figueiredo Filho conheceu as técnicas rudimentares de fabricação de farinha de mandioca. A explicação foi feita pelo Chefe Viana Iwandrera, elogiado pelo Chefe da ESG pela sua capacidade de dinamizar aquele núcleo Indígena. Dirigindo-se aos Índios que os cercavam, o General Euclydes declarou:

 

  Viana é Chefe de vocês. A ele vocês devem obedecer.

 

A reserva dos Índios Waimiri-Atroari mede 1 milhão e 850 mil hectares. Ao todo, eles são aproximadamente 700, distribuídos em várias Comunidades. Ainda existem vários núcleos arredios, embora estejam sendo contatados há anos pela Fundação Nacional do Índio. O PI Terraplenagem, localizado à margem da BR-174 é um dos pontos de atração da FUNAI, que vem “cumprindo com muita habilidade a sua meta de trabalho”, como admite o delegado Kazuto Kawamoto.

 

Inauguração

 

O General Euclydes e o Chefe Viana desenlaçaram a fita de inauguração do “Centro Educacional Euclydes de Oliveira Figueiredo” ‒ construída em madeira rústica e coberta com palha de buritizeiro. O Chefe Viana, num ligeiro discurso de agradecimento, declarou:

 

  O General esteve aqui. Deu atenção para o Índio. Prometeu escola. Hoje escola está pronta. Estamos muito alegres... obrigado General Figueiredo.

 

O Delegado Regional da FUNAI, por sua vez, agradeceu a colaboração das Unidades Militares instaladas na região pela contribuição que vêm dando à execução do plano da política Indigenista oficial, tendo como ponto básico a integração do Índio à comunidade nacional. Ele declarou, por outro lado, que Euclydes Figueiredo Filho, quando Comandante do CMA, não mediu esforços em ajudar a FUNAI no cumprimento de sua missão, concernente à proteção integral do Índio e de seu patrimônio. Explicou que a afixação do nome do seu saudoso pai, o Gen Euclydes de Oliveira Figueiredo, naquele Centro Educacional, significa a gratidão pelos serviços que prestou às Comunidades Indígenas quando Comandante do CMA.

Por outro lado, destacou que a homenagem justificava uma dupla homenagem: ao Gen Euclydes de Oliveira Figueiredo e ao Gen Euclydes de Oliveira Figueiredo Filho.

 

A Paranapanema

 

A exemplo do Delegado da FUNAI, o Gen Euclydes Figueiredo agradeceu à Mineração Paranapanema pelo gesto de reconhecimento ao seu pedido pessoal. Ele disse que assim que o Chefe Viana pediu-lhe uma escola, repassou essa reivindicação aos seus amigos da Paranapanema, que explora uma área de mineração contígua à reserva dos Atroari. Disse o General, referindo-se à Mineração Paranapanema:

 

  Eu estou profundamente emocionado com essa oportunidade de ver realizado por vocês aquilo que me pediram pra fazer. Eu não fiz nada. Eu só fiz é pedir aos amigos. E os amigos me atenderam.

 

Em seguida, o ex-Comandante do CMA disse que na Amazônia todos devem trabalhar conjuntamente, ressaltando que:

 

  Isso bastaria para justificar a nossa vinda e a nossa permanência no Comando é a nossa missão. É a missão do Exército. A gente procura ajudar a todos aqueles que trabalham em favor da população local, assim como a Marinha e a Aeronáutica.

 

Emocionado, Euclydes declarou que estava muito gratificado pelo fato de os Índios terem escolhido o nome do seu pai, para homenageá-lo. Encarou a homenagem como uma prova de reconhecimento aos bons serviços prestados por seu genitor à Comunidade Nacional, ressaltando que ele seria sempre lembrado num local onde nunca tinha servido como militar.

 

Presente

 

Antes de retornar ao NAWA, Euclydes conversou isoladamente com os Índios que ali se encontravam, fazendo perguntas e respondendo indagações dos Atroari. O Chefe Viana entregou-lhe um arco e duas flechas como presente. Euclides Figueiredo e sua comitiva ainda visitaram, no dia de ontem, a Mineração Paranapanema, no Município de Presidente Figueiredo. (JC, N° 33.156)

 

Parece que na falaciosa narrativa atual isto também não foi considerado pelas lideranças WA como um tipo de apoio do Exército Brasileiro às suas Comunidades. (continua...)

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 

YYY Coletânea de Vídeos das Náuticas Jornadas YYY

https://www.youtube.com/user/HiramReiseSilva/videos

 

Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);

Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);

Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);



[1]    Havia apenas um representante, eu, o Capitão de Engenharia Hiram Reis e Silva, responsável pela malograda presença do Baines na tal reunião. (Hiram Reis)

[2]    Faltou “6° BEC” no original. (Hiram Reis)

[3]    Trocou a palavra “nativas” por “indígenas” do texto original por mim redigido. (Hiram Reis)

[4]    Mais adiante o Baines falta com a verdade novamente. Ao omitir meu nome mesmo usando informações retiradas de artigos de minha lavra mostrando quão tendencioso é. Omite, intencionalmente, que a primeira reunião realizada foi com as lideranças Waimiri-Atroari. (Hiram Reis)

Galeria de Imagens

  • Jornal do Comércio, n° 33.156, 07.01.1984
    Jornal do Comércio, n° 33.156, 07.01.1984
  • Visita à Aldeia WA da Terraplenagem
    Visita à Aldeia WA da Terraplenagem
  • Visita à Aldeia WA da Terraplenagem
    Visita à Aldeia WA da Terraplenagem
  • Visita aos WA
    Visita aos WA
  • Família Reis e Silva no Rio Abonari
    Família Reis e Silva no Rio Abonari
  • Minas do Pitinga, Giuseppe Craveiro
    Minas do Pitinga, Giuseppe Craveiro
  • Neiva e Danielle no Rio Abonari
    Neiva e Danielle no Rio Abonari
  • Família Reis e Silva no Pitinga
    Família Reis e Silva no Pitinga
  • Vanessa e Danielle no Rio Abonari
    Vanessa e Danielle no Rio Abonari
  • Balsa no Rio Branco, Caracaraí (ST Ávila)
    Balsa no Rio Branco, Caracaraí (ST Ávila)
  • Viagem à Boa Vista, RR (agosto, 1983)
    Viagem à Boa Vista, RR (agosto, 1983)
  • Construção BR-174 (ST Ávila)
    Construção BR-174 (ST Ávila)
  • Viagem à Boa Vista, RR (agosto, 1983)
    Viagem à Boa Vista, RR (agosto, 1983)
  • Monumento da Linha do Equador (ST Ávila)
    Monumento da Linha do Equador (ST Ávila)
  • Monumento da Linha do Equador (ST Ávila)
    Monumento da Linha do Equador (ST Ávila)

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