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Gente de Opinião

Hiram Reis e Silva

Qualquer Semelhança não é Mera Coincidência – III


Qualquer Semelhança não é Mera Coincidência – III - Gente de Opinião

Bagé, 02.12.2024

 

Continuando engarupado na memória:

 

 

Jornal do Brasil n° 177, Rio de Janeiro, RJ

Quarta-feira, 31.07.1963

 

JB na Mira

  

O jornalista Hélio Fernandes, no contato que manteve com os seus advogados em Brasília, disse que as perguntas do General Crisanto de Figueiredo, durante seu depoimento, versaram quase sempre sobre a situação da Tribuna da Imprensa e se encaminharam no sentido de obter do depoente uma declaração comprometendo o Governador Carlos Lacerda na revelação dos documentos secretos. Sentiu o jornalista, no interrogatório a que foi submetido, o empenho do Gen Crisanto de Figueiredo em apurar ligações suas, seja com O Governador Carlos Lacerda, seja com o Sr. Nascimento Brito, Diretor do Jornal do Brasil.

 

Confirmado Objetivo: Governo Procura Golpe

(Carlos Castello Branco) 

Brasília – O jornalista Hélio Fernandes confirmou, em Brasília, para o Sr. Sobral Pinto e para o Sr. Adauto Cardoso (que o visitou na qualidade de advogado), ter sido interrogado pelo encarregado do inquérito policial-militar menos sobre as circulares secretas (a respeito houve apenas perguntas no final do interrogatório) do que sobre a situação da Tribuna da Imprensa, principalmente sobre a transação da qual resultou a transferência do controle do jornal para as suas mãos, sobre compromissos assumidos para tal fim e sobre influências que possam persistir na referida organização.

 Trata-se, evidentemente, de apurar uma hipótese que parece ser o centro dos trabalhos do inquérito policial-militar: a serviço de que forças ou de que grupos estaria o jornalista, na sua campanha oposicionista, e a que objetivos estaria servindo. Em outras palavras, o Gen Crisanto Figueiredo tenta identificar, através da ação do Diretor da Tribuna da Imprensa, a existência de um movimento conspiratório e procura, desde logo, encaminhar o processo de responsabilidade pessoal no rumo de poderosos adversários do Governo. 

Como se sabe, o Governo está na convicção, tática ou verdadeira, de que existe uma articulação golpista e se esforça por destruí-la ou por torná-la crível. O inquérito em torno da publicação de circulares secretas pela Tribuna da Imprensa é uma peça nesse processo intentado e outras peças estão sendo movimentadas, também na área militar, com igual objetivo. O Sr. João Goulart tem dado ciência das suas apreensões e das suas suspeitas a políticos e outras pessoas que com ele conversaram nas últimas semanas, quando se mostrou disposto não só a adotar providências repressivas como até mesmo ofensivas, se considerar útil ou conveniente.

 

Uma Hipótese e uma Suspeição 

O jornalista Hélio Fernandes continua preso incomunicável. Embora seus advogados aqui em Brasília tenham tido autorização de conversar com ele. Está à disposição do Supremo Tribunal, que julgará hoje á tarde o pedido de habeas-corpus em seu favor. Admite-se, nos meios políticos, que o Ministro da Guerra mande soltá-lo algumas horas antes do habeas-corpus, no pressuposto de que a decisão da Justiça favorecerá o jornalista e obviamente para poupar-se ao constrangimento de uma condenação pela mais alta Corte de Justiça do País. Nos mesmos círculos insinua-se que o Ministro Hermes Lima poderá dar-se por suspeito por ter sido vítima de pertinaz campanha do jornalista, não há muito tempo.

 

Novo Rumo Para a Reforma Agrária

 Por iniciativa do Deputado Aniz Badra e com o apoio da maioria da bancada do PDC, um novo projeto de lei de reforma agrária estará sendo coordenado, na base de solução política de harmonia, com a eventual cooperação do PSD, de parte importante da bancada do PTB, do PSP e até mesmo da UDN. 

Propõe o Sr. Badra que, para salvar o prestígio do Legislativo, vítima de continuada campanha de desmoralização, os deputados superem suas divergências e votem um projeto de lei que defina o desejo do Congresso de promover a reforma agrária. Inviável, como se tornou, a aprovação de uma emenda constitucional, nem por isso estaria impedido o Congresso de afirmar sua posição através de uma lei que dê ao Executivo os instrumentos para iniciar uma política agrária revisionista e objetiva. 

Os objetivos do movimento foram comunicados pelo autor do projeto ao Líder Tancredo Neves e já ontem, com a colaboração do Sr. Afonso Celso, do PTB, se iniciavam gestões que pareciam exercer forte atração sobre a maioria do PSD, desejosa de sair do impasse em que as negociações infindáveis entre trabalhistas e pessedistas colocaram a Câmara dos Deputados. 

Em princípio admite-se que apenas o grupo radical da frente parlamentar nacionalista resista à iniciativa, mas até mesmo alguns grupos da esquerda ideológica a examinam como um início de solução realista, que atenderia à opinião média da Câmara e ajudaria a demarcar as soluções que tem como definitivas. 

O Deputado Aniz Badra, que foi representante de São Paulo na Câmara fechada em 1937, diz-se impressionado seja com o desânimo provocado no interior de seu Estado pelas notícias em torno da reforma agrária, as quais vão paralisando toda iniciativa rural, seja com a estranha similitude entre a atual situação do País e a daquele ano inesquecível. Na UDN, considera-se como séria a iniciativa do Deputado do PDC, a qual poderá adquirir grande profundidade nas próximas horas.

 

Batendo na Cangalha 

O Senador Benedito Valadares, comentando a recusa do Exército de quebrar a incomunicabilidade do jornalista Hélio Fernandes, disse que isso é: 

O mesmo que bater na cangalha para o burro entender.

 

(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;

 Campeão do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);

Ex-Vice-Presidente da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;

Ex-Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);

Ex-Pesquisador do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);

Ex-Presidente do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);

Ex-Membro do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);

Ex-Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);

Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);

Membro da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO);

Membro da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);

Comendador da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS);

Colaborador Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG);

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);

Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (IHGTAP)

E-mail: [email protected]

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