Segunda-feira, 30 de dezembro de 2024 - 07h05

Bagé,
30.12.2024
Continuando
engarupado na memória:
Tribuna da Imprensa n° 3.205, Rio, RJ
Quarta-feira, 20.11.1963
Em Primeira mão
(Hélio Fernandes)
Procurando desenvolver
seu esquema político rumo ao Golpe de Estado que o manteria no poder, onde, até
hoje, não disse a que veio, o sr. João Goulart mandou o general Assis Brasil a
São Paulo, para conversar com o General Pery Bevilacqua sobre sua exoneração do
comando do II Exército, em São Paulo.
O general [comunista]
Assis Brasil, que comanda o dispositivo golpista e esquerdista do sr. João
Goulart, cumpriu fielmente, e com muita satisfação, a missão de que foi
incumbido. Voou sábado pela manhã de Brasília a São Paulo.
Foi encontrar o
Comandante do II Exército em casa, tranquilamente e com o mesmo estado de
espírito que o levou a denunciar, em mais de uma oportunidade o esquema
revolucionário de esquerda, comandado por vários deputados trabalhistas e
pelegos sindicais do CGT, CNTI, PUA e outros órgãos de agitação.
Com a mesma
tranquilidade, o General Pery Bevilacqua recebeu a comunicação do general Assis
Brasil e afirmou categoricamente que não aceita o “convite” para trocar o comando do II Exército pela chefia do
Estado-Maior das Forças Armadas, que lhe foi oferecida pelo presidente da
República, através do chefe de sua Casa Militar.
“Sinto-me bem
aqui e não tenho motivos para trocar o comando do II Exército pela chefia do
EMFA” declarou o General Pery Bevilacqua em resposta ao “convite” do General Assis Brasil. O
General Pery deixou bem claro durante a conversa que não durou mais do que
quinze minutos, que não aceita convites, nem sugestões nem imposições de quem
quer que seja. Considera que a sua demissão tem caráter puramente político e só
interessa aos agitadores da esquerda revolucionária denunciados por ele.
Afirmou a Assis Brasil que o sr. João
Goulart está atendendo às pressões dos agitadores para se recompor com as
esquerdas. Aceita, como não poderia deixar de aceitar, a demissão pura e
simples, pois o seu cargo é de confiança pessoal do presidente da República.
Mas quer que o ato de demissão seja do conhecimento público e que fique bem
caracterizada a intenção política da decisão presidencial.
O General Pery Bevilacqua está disposto a
pronunciar-se politicamente, na oportunidade da transmissão do comando do II
Exército.
Nesse pronunciamento pretenderia, deixar
caracterizada a posição dúbia e vacilante do presidente da República que no
momento em que aparentemente se desloca para o centro democrático, fazendo
acenos às forças conservadoras, põe na chefia da Casa Militar um oficial
notoriamente comunista o se empenha duramente na destituição do Comandante do
II Exército, devido tão somente a sua atuação em favor do regime democrático e
contra a revolução esquerdista.
Setores militares democráticos, a imensa
maioria das Forças Armadas, empenham-se agora, no sentido de evitar o
pronunciamento do General Pery Bevilacqua, que viria a dar pretexto ao sr. João
Goulart para desfechar uma nova e poderosa ofensiva contra as Instituições. E
acreditam que no desenvolvimento da crise criada artificialmente seria
fatalmente concretizada a intervenção nos Estados da Guanabara e São Paulo.
O General Pery mantém-se, ainda assim,
disposto a fazer a denúncia à Nação. Julga do seu dever de militar de Chefe do
Exército e de democrata revelar os detalhes da trama que setores do governo
armam contra o regime. Não se sabe até onde o General Pery poderá ser
dissuadido de sua intenção.
Tribuna da Imprensa n° 3.209, Rio, RJ
Segunda-feira, 25.11.1963
Boaventura: Militares Solidários
Oficiais do Núcleo da Divisão
Aeroterrestre, solidários com o Tenente Coronel Francisco Boaventura Cavalcanti
Júnior, preso desde sábado, no Regimento de Cavalaria de Guardas, vão divulgar,
nas próximas horas, um manifesto condenando a determinação do ministro da Guerra.
O general Jair Dantas Ribeiro determinou a
prisão do Coronel Boaventura por ter este protestado, através de carta, contra
a “esdrúxula justiça” do ministro da
Guerra, que resolveu determinar sua transferência para Curitiba, em face do
incidente criado quando da tentativa de atentado contra o Governador Carlos
Lacerda.
Na carta que escreveu ao ministro da
Guerra, o Coronel protestou contra o fato de ter sido punido com transferência
por ter se recusado a cumprir ordens ilegais.
A carta foi lida na tribuna da Câmara pelo Deputado
Pedro Aleixo, líder da Oposição. O Coronel Boaventura foi preso pelo coronel
Domingos Ventura, comandante da PE, em sua residência à Rua Domingos Ferreira,
em Copacabana, sendo imediatamente recolhido ao Regimento de Cavalaria de
Guardas.
O Deputado Costa Cavalcante, irmão do
oficial preso desde sábado encontra-se na Guanabara e já foi visitá-lo,
encontrando-o de ânimo elevado.
As manifestações de solidariedade ao
Coronel Boaventura segundo se informava, ontem, nos meios militares, não se
limitará apenas ao âmbito do Corpo de Paraquedistas. Prevê-se que a
manifestação atinja todas guarnições da Vila Militar.
O ministro da Guerra general Jair Dantas
Ribeiro, deverá ainda hoje fixar o prazo de prisão do Coronel, prevista em 30
dias. Colegas do oficial preso desde ontem articulam a divulgação da carta por
este dirigida ao ministro da Guerra e que deu motivo à sua prisão.
(*)
Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de Engenharia, Analista de Sistemas,
Professor, Palestrante, Historiador, Escritor e Colunista;
Link: https://youtu.be/9JgW6ADHjis?feature=shared
Campeão
do II Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente
da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor
do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador
do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente
do Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro
do 4° Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente
da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro
da Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro
do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
Membro
da Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO);
Membro
da Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
Comendador
da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS);
Colaborador
Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG);
Colaborador
Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);
Membro
do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (IHGTAP)
E-mail:
[email protected]
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