Quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025 - 08h20

Bagé, 05.02.2025
Fuzileiros
Exigem Queda de Aragão. (Tribuna da Imprensa n° 4.288)
Continuando
engarupado na memória:
Tribuna da Imprensa n° 4.288, Rio, RJ
Sábado, 29.02.1964 e Domingo, 01.03.1964
Comício da FPN em São Paulo foi Fracasso
São Paulo [Sucursal] –
A Frente de Mobilização Popular realizou na noite de ontem, no Centro do
Professorado Paulista, um comício pelas reformas pregadas pelo presidente João
Goulart e de protesto aos últimos acontecimentos registrados em Belo Horizonte.
Os principais oradores foram os deputados Paulo de Tarso e Almino Afonso. Muito
embora durante a tarde carros com alto-falante tenham percorrido todas as ruas
de São Paulo convidando o povo para comparecer à concentração, os resultados
não foram satisfatórios sendo reduzido o número de participantes Os deputados
Paulo de Tarso e Almino Afonso, em seus discursos, responsabilizaram a reação
pelas agitações que se vêm registrando no País.
Concentração em BH Pela Democracia
Belo Horizonte [Sucursal]
– “Dar as mãos antes que seja tarde”
– é o “slogan” adotado pela “Corrente Telefônica da Democracia”,
visando a um comparecimento sem precedentes à concentração do dia 3 próximo, no
Teatro Francisco Nunes. Ainda continuam repercutindo os acontecimentos do dia
25, enquanto que os democratas articulam a sua posição. Segundo o sr. Saturnino
Alves Mala, União dos Varejistas:
Como não poderia deixar de ser, Minas deu, naquele
dia, mais uma vez ao Brasil, o que dela se esperava, isto é, o exemplo de
virilidade e de determinação. O mineiro é
calmo, é
tranquilo,
é político,
mas, antes
de tudo,
é democrata.
Nota Oficial
Os vereadores Belo
Horizonte a distribuíram a seguinte nota sobre a posição de defesa democrática
adotada por Minas. Diz o documento:
A Câmara Municipal de Belo Horizonte, por
intermédio de seus representantes, leva ao conhecimento da população que está
solidária com os Deputados Abel Rafael Pinto, Aníbal Teixeira, Atos Vieira de
Andrade e José Maria Magalhães, Drs. Josafá Macedo e Orlando Vaz Filho,
prefeito de Belo Horizonte, Sr. Jorge Carone Filho, nas lutas contra movimentos
de cunho comunista que venha a ter por palco nossa cidade, louvando, a atitude
firme que tiveram na defesa dos postulados democráticos e dos sentimentos
cristãos de nossa população.
# Fuzileiros em Articulações
Contra Aragão #
Inconformados com a
nenhuma cobertura até oferecida pelo almirante Aragão, que lhes deu ordens de
acompanhar o deputado Leonel Brizola na aventura do dia 25, em Minas,
fuzileiros navais passaram a forçar a substituição do comandante de corporação,
com o apoio dos oficiais da Armada que, velada ou ostensivamente, perseguem o
mesmo objetivo. Ambos os setores viram no recuo do almirante Aragão um “gesto de extremo covardia”, uma vez que
foi ele próprio o “autor intelectual da
participação dos fuzileiros nos acontecimentos de Belo Horizonte, para os quais
mandou liberar armas militares, para depois abandoná-los à próprio sorte,
depois de mandar prender o grupo e apontá-lo à execração”. A disposição dos
Fuzileiros, de renegar e derrubar o comandante do CFN, está sendo manifestada
em sucessivas reuniões, de que participam, inclusive, Oficiais Superiores.
Fala-se, até, na divulgação de manifesto que já estaria circulando, a partir de
ontem, na Ilha das Cobras e nas demais unidades da corporação. A nova crise na
Marinha envolveu, de saída, quase a totalidade dos graduados, que esperavam de
Aragão uma atitude de apoio à ação dos fuzileiros a qual no fundo, teve a
produzi-la o próprio dedo do comandante, quando ocorreu exatamente o contrário:
antes que o almirante Sílvio Mota aproveitasse a chance para “degolá-lo”. Aragão apressou-se em
sacrificar os seus próprios companheiros.
Inquérito
Enquanto isso, o Almirante
José Luís da Silva Júnior, chefe do Estado-Maior da Armada, aguarda resposta ao
ofício que enviou à Secretaria de Segurança de Minas Gerais, para à base desse
documento abrir o inquérito visando à apurar as irregularidades. O ofício pede
esclarecimentos sobre o armamento apreendido, a identidade dos militares
detidos e as razões porque foram soltos.
Tribuna da Imprensa n° 4.293, Rio, RJ
Sexta-feira, 06.03.1964
Jango Tenta Outra vez Intervir na Guanabara
O governo Federal
esteve na iminência de decretar a intervenção na Guanabara, em represália à
decisão do Governador Carlos Lacerda em requerer a falência do Banco do Brasil
pela recusa em descontar cheque para pagamento do pessoal da Polícia Militar. A
minuta do decreto foi exibida pelo ministro Abelardo Jurema a um grupo de
jornalistas, em seu gabinete, na tarde de ontem. A resolução, adotada numa
reunião de que participaram 22 generais, não foi consumada em face das notícias
de que o sr. Carlos Lacerda recuara do que o ministro da Justiça considera uma
“tentativa de levar o País à falência”.
Não Pensou
Mais tarde o sr.
Abelardo Jurema desmentiu que o governo federal estivesse pensando em intervir
na Guanabara em consequência da petição apresentada pelo procurador Eugênio
Stguaud propondo a falência do Banco do Brasil pela recusa de um cheque ao
governo da Guanabara. Disse que, se o ato do Governador da Guanabara, que
classificou de “debochativo”,
houvesse sido praticado por qualquer homem de bem ou por “qualquer chefe de Estado responsável, consequente e equilibrado”
seria motivo para intervenção “pois
alarmaria a Nação com consequências previsíveis para a economia do País”.
[...]
Citação
Um oficial de justiça
entregará hoje à tarde, ao sr. Nino Medina Coeli, presidente do Banco do
Brasil, uma citação expedida pelo juiz Áureo Bernardes Carneiro, da 16ª Vara
Cível, intimando aquele banco oficial a descontar, no prazo de 24 horas, o
cheque de Cr$ 785 milhões, destinado ao pagamento da Polícia Militar da
Guanabara, ou então a apresentar a sua defesa, dentro do mesmo espaço de tempo.
Porta-voz do gabinete do procurador geral do Estado da Guanabara, sr. Eugênio
Sigaud, informou ontem à “Tribuna”
não ser verdadeira a notícia publicada por um matutino carioca, segundo a qual
a Procuradoria Geral do Estado, recebendo ordens do Governador Carlos Lacerda,
mandara sustar o processo de falência do Banco do Brasil.
Notícia
De acordo com a
notícia agora desmentida, o procurador geral Eugênio Sigaud, que somente ontem
retornou de Brasília, telefonara ao escrevente Pedro, da 16ª Vara Cível, na
quarta-feira, solicitando a paralisação “até
segunda ordem” do processo contra o Banco do Brasil. A notícia dizia ainda
que o procurador Eugénio Sigaud, ao pedir a sustação do andamento do processo,
alegara ter recebido instruções do Governador Carlos Lacerda neste sentido,
pois fora firmado um acordo entre o Estado e a União, decidindo o assunto. O
porta-voz do gabinete do procurador geral do Estado disse que o escrevente
Pedro telefonou ontem para a repartição, desmentindo que houvesse fornecido
aquela informação e declarando-se muito aborrecido com o ocorrido.
(*) Hiram Reis e Silva é Canoeiro, Coronel de
Engenharia, Analista de Sistemas, Professor, Palestrante, Historiador, Escritor
e Colunista;
Link: https://youtu.be/9JgW6ADHjis?feature=shared
Campeão do II
Circuito de Canoagem do Mato Grosso do Sul (1989);
Ex-Vice-Presidente
da Federação de Canoagem de Mato Grosso do Sul;
Ex-Professor do
Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA);
Ex-Pesquisador do
Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx);
Ex-Presidente do
Instituto dos Docentes do Magistério Militar – RS (IDMM – RS);
Ex-Membro do 4°
Grupamento de Engenharia do Comando Militar do Sul (CMS);
Ex-Presidente da
Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS);
Membro da
Academia de História Militar Terrestre do Brasil – RS (AHIMTB – RS);
Membro do
Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS – RS);
Membro da
Academia de Letras do Estado de Rondônia (ACLER – RO);
Membro da
Academia Vilhenense de Letras (AVL – RO);
Membro do
Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (IHGTAP)
Comendador da
Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul (AMLERS);
Colaborador
Emérito da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG);
Colaborador
Emérito da Liga de Defesa Nacional (LDN);
E-mail: [email protected]
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