Quinta-feira, 9 de maio de 2019 - 09h43

Uma vez fui fazer reportagem num clube de tiro e tentei acertar um pato de madeira.
Levei um sopapo da arma no peito e na consciência. Foi uma emoção violenta.
Isso não é pra mim, pensei.
Terminei com dois namorados que insistiam em portar arma na cintura. Qualquer confusão por perto, mostravam a pistola e me colocavam em risco.
Peguei nojo de homem armado.
Um conhecido acertou acidentalmente a própria perna praticando tiro em placa na estrada.
Um amigo da escola morreu ‘brincando’ de roleta russa.
Era assim até o estatuto do desarmamento.
Não eram tempos de paz, porque havia cidadãos armados pra todo lado.
Me meti de cabeça na campanha pelo desarmamento e anos depois, vi que as taxas de homicídios não diminuíram radicalmente.
Mas, vi que inibiram um crescimento de aproximadamente 8% ao ano.
Pra mim, é muita coisa.
Sigo com a mentalidade de que segurança pública exige muito mais que armar ou desarmar a população.
Vou morrer lutando por uma política de segurança que só funciona com investimentos na educação e no combate à desigualdade social.
Deste modo, recuso esse placebo oferecido por Bolsonaro para trazer paz ao Brasil.
Quem pensa que vai produzir efeito positivo, logo verá piorar a situação.
Vivemos numa sociedade que revelou altíssimo grau de estupidez e crueldade por conta de uma eleição presidencial.
E o país cada dia se distancia mais dos marcos civilizatórios.
Temos no horizonte os cortes na educação, desemprego galopante e o fim do direito à aposentadoria.
Tá na cara que uma sociedade mais ignorante e mais pobre se tornará mais violenta.
Vou virar colecionadora de pessoas que se opõem ao triunfo da estupidez.
Disparem um sinal luminoso para que as localize.
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