Quinta-feira, 10 de julho de 2014 - 07h30
Eu vim de carona na última viagem de litorina
O comerciário aposentado Graciliano Maia é filho de um dos muitos ferroviários da Madeira-Mamoré que viviam e trabalhavam em Guajará-Mirim, ponto terminal dos mais de 300 quilômetros que interligavam aquela cidade ao ponto inicial, Porto Velho.
Ele costumava viajar no trecho, o que fazia continuamente, como uma grande parcela de moradores das duas cidades e dos que residiam e trabalhavam ao longo da ferrovia, com uma diferença: seu pai de era chefe da estação do trem em Guajara-Mirim, função que o fazia ser representante da administração da estrada de ferro e, por isso, ele sempre se deslocava numa das litorinas, um veículo sobre os trilhos mas muito mais confortável e, ainda, quatro vezes mais rápido.

Litorina: mais conforto e velocidade que o trem
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A litorina, conforme muitos jovens da época em que ela funcionou, era muito usada não só pelos funcionários “categas” da Madeira-Mamoré, mas também por outras pessoas e para os jovens que arrumavam namoradas ou iam a festas realizadas nas pequenas comunidades à margem da estrada. Era uma questão de status.
“O coronel Oliveira, diretor geral da Madeira-Mamoré àquela época, todos os meses saía de Porto Velho até Guajará-Mirim, leando uma enorme caixa dentro da qual, bem arrumados, iam os envelopes de pagamento, com dinheiro dentro porque não havia bancos, dos funcionários das estações do trem e do pessoal da estação de Guajará-Mirim”.
Graciliano recorda que, depois de feito o pagamento dos ferroviários em Guajará, o coronel Oliveira mandou que cortassem vários pedaços de dois metros de comprimento de trilhos e embarcar um soldador e sua máquina de soldar, além de dois funcionários.
“A partir de quando a litorina saiu, em meio à consternação geral na cidade, ele mandava parar o transporte e soldar atravessado nos trilhos um pedaço de vergalhão, para evitar que alguém quisesse sair com uma composição, isso até no bairro do Triângulo em Porto Velho”.
Lúcio Albuquerque
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