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Lucio Albuquerque

17 de novembro, a data maior de Rondônia


  

Certamente que sem fogos, sem nem citação por quem tem a responsabilidade de evocar tais datas como secretarias de Educação e de Cultura, prefeitos e governador, professores responsáveis pela formação dos nossos jovens – nesse caso refiro-me especificamente aos que trabalham com a História Regional – a data de 17 de novembro vai passar como mais um dia como outro qualquer, sem qualquer vinculação com sua importância real para Rondônia, e essa ausência de destaque pode ser oriunda de uma questão apenas, o desuso, por aqui, da lembrança de datas e fatos de importância para a região. A falta de respeito com a própria História local.

E o que o 17 de novembro tem a ver com Rondônia?, pode estar assuntando o leitor talvez curioso porque de datas locais só mesmo a criação do Estado, a sua instalação e, às vezes há lembrança disso, o 5 de maio quando se comemora o Dia de Rondon.

Bom, para entender é preciso retornar mais de um século na história, porque no final do Século XIX brasileiros, mais precisamente nordestinos, estavam invadindo a região boliviana onde hoje se localiza o Estado do Acre em busca do “ouro negro”, a borracha, o que provocou diversos atritos de luta armada entre os dois países, levando ao que muitos chamam “Revolução Acreana” ou “Guerra do Acre”, gerando uma situação de fato, o abrasileiramento daquela terra, provocando em 1903 a assinatura de um protocolo formal, por Brasil e Bolívia, pelo qual caberia ao Brasil as terras ocupadas pelos seringueiros patrícios e, à Bolívia, uma série de compensações.

E foi justamente no dia 17 de novembro, de 1903, que os ministros plenipotenciários (*) das duas nações se reuniram em Petrópolis, cidade serrana do Estado do Rio de Janeiro, e assinaram o “Tratado de Petrópolis”, pelo qual enquanto ao Brasil competiriam as terras do Acre, à Bolívia o Brasil daria compensações em dinheiro, 2 milhões de libras esterlinas (àquela altura a moeda mais forte era a libra inglesa) e construiria uma ferrovia que, margeando o lado direito do Rio Madeira oferecesse condições a que produtos de interesse boliviano, tanto de importação quanto de exportação, pudessem ter trânsito para e daquele país.

E foi justamente essa cláusula, a da construção de uma ferrovia, no caso a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que gerou Rondônia, daí não se poder dissociar da importância que teve, para nós aqui, aquele 17 de Novembro, quando, em decorrência da “Guerra do Acre” foi possível oferecer meios para o surgimento, 78 anos depois, do Estado de Rondônia.

Se a questão histórica for tratada sem bairrismo, considerando-se fatos que realmente aconteceram e que tiveram influência direta na região, não há como dissociar essa data, haja vista ali ter sido o nosso “alfa”. Se alguém disser que, para Rondônia, “tudo começou dia 17 de novembro de 1903”, quando praticamente nada havia por aqui, não estará longe da realidade.

Estará apenas fazendo o devido reconhecimento histórico, como aquele dito do “dar a Cesar o que é de Cesar”. Aliás, é preciso lembrar que o professor Abnael Machado de Lima, sem qualquer dúvida a nossa grande referência em História Regional, durante a audiência pública realizada pela Assembléia Legislativa sobre a data do Estado, posicionou-se favorável a que fosse considerada a data do Tratado de Petrópolis como o Dia do Estado.

(*) Pelo Brasil: José Maria da Silva Paranhos do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores, e Joaquim Francisco de Assis Brasil, embaixador brasileiro nos Estados Unidos. Pela Bolívia: Fernando Guachalla, ministro em missão especial e Cláudio Pinilla, ministro das Relações Exteriores.

 

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Fonte: Lúcio Albuquerque -  [email protected]
 
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