Quinta-feira, 28 de novembro de 2013 - 12h28
O título deste comentário veio da pergunta feita por email, enviado por uma pessoa que disse ter ouvido uma palestra minha da faculdade Uniron, em Porto Velho, quando eu falei sobre Assessoria, portanto peço a quem ler que não procure fazer ligação com o fato e alguém ou caso já acontecido. É possível, mas o que vou colocar aqui é mais experiência de quem já passou pela função, na área de Comunicação, e que ainda atua, mas fora do jornalismo.
Permito-me a não revelação do nome de quem mandou o email, até porque disse estar falando em nome de vários colegas: “Para o assessor é melhor “arriscar o pescoço”, como você nos disse, ou aplaudir o que o chefe faz?”.
Bom, naquela conversa eu fui bem claro, e todas as vezes que tenho conversado com universitários de comunicação e outras áreas, repito a mesma linha: “O assessor muitas vezes arrisca o pescoço (o que deve ser lido como “arrisca o emprego e suas benesses”) para exercer sua função de assessorar. Já aconteceu muitas vezes comigo e em algumas delas preferi sair do que concordar com o errado”.
Uma vez o presidente de uma entidade que participei veio saber se eu queria ser vice dele na próxima eleição. “Eu preciso de um vice confiável”, alegou e eu respondi que “Ser vice confiável fosse aplaudir tudo que ele decidiss ainda que eu ache errado, então que ele procurasse outro”. Ele me deixou de lado.
Na semana passada escutei de uma pessoa, com formação superior, dizer que “se o chefe manda eu faço”. Eu, não. Na década de 1990 eu ainda trabalhava em jornal e estava substituindo um colega na editoria quando chegaram dois assessores do dono querendo publicar uma matéria. Mas quando pedi documento comprovando o que estava escrito não havia. Disse que não editaria ou se quisessem colocar podiam fazer, mas sem meu nome como editor responsável. Até o dono do jornal concordou comigo.
Uma vez eu era assessor de uma importante figura política, mas aí senti que continuando ali eu iria contra minha formação. E resolvi, mesmo com enorme prejuízo financeiro, sair, dar lugar a quem concordava com tudo e essa pessoa sabe o que restou a ela em problemas.
Recentemente conversando com uma pessoa do Poder Executivo disse a ela haver quem, contratado para assessoria, acaba depreciando quem contratou, ao alegar estar ali por amizade com o contratante e, por isso, concordarem com tudo, ainda que o chefe esteja errado.
Nas muitas vezes que assessorei, minha posição foi outra: se achava que o chefe estava errado dizia, e o fazia por escrito, consciente de que, se o chefe entendesse o contrário poderia mandar-me embora, apesar, repito, do consequente prejuízo financeiro, mas preferi sempre ficar com saldo positivo de consciência.
Citei ao perguntador que gerou o presente comentário haver enorme diferença entre “assessor” - o que assiste a um superior hierárquico, auxiliando-o em suas funções, e a figura do que é risivelmente chamado de “Aspone” – palavra da nossa gíria, formada a partir da composição de Aspone: (As – assessor; Po (de) porra; ne – nenhuma. Aquele que está ali apenas para aplaudir e que, quando sai da sala diz para o chefe que se ele estiver fora e o chefe espirrar, “Saúde”.
O aspone, sem qualquer dúvida, causa muito mais prejuízo ao assessorado e à instituição a que este preste serviço do que se imagina.
Inté outro dia, se Deus quiser!
Lúcio Albuquerque, repórter
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