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Gente de Opinião

Lucio Albuquerque

Conta Gotas 07/08/12


Sou a favor de todos os esportes, exceção desses que só servem para incentivar a violência e que, lamentavelmente, estão muito em voga atualmente, ajudando a deturpar ainda mais a nossa juventude já tanto desviada. Certo, futebol não é o meu preferido e, numa escala de precedência, ele está assim depois do vôlei, do handebol, do judô, do atletismo, do basquete e de mais alguns.

Vendo e lendo sobre os Jogos de Londres, encontrei a frase da atleta paraguaia Leryn Franco, 34 colocada no arremesso de dardo, e concordo com ela , transportando para o Brasil sua fala.

“Se tivéssemos metade do apoio que tem o futebol...não quero o mesmo apoio, mas a metade. O esporte é tão importante como a educação. Ele pode resolver muitos problemas sociais.”

Assistindo à entrevista da zagueira Maurine, no desembarque da seleção eliminada, observei dali uma frase interessante, típica de quem só vê o pontual e não o todo: “Não podemos reclamar das condições que nos deram”. Podem, sim, Maurine. O fato de vocês terem tido uma estrutura de treinamento muito superior aos outros anos não quer dizer que tudo esteja bem. Como querer resultados melhores se nem competição séria de futebol feminino nós temos? E não é apenas o caso do futebol.

É só ver as matérias que vêm sendo mostradas na TV sobre atletas brasileiros que se destacam, para observar que estamos ainda a anos luz das potências médias. E dentro de mais quatro anos teremos Olimpíada no Brasil que, no caso da competição, pode, para o Brasil, transformar-se numa “olimpiada”.

O COB tem culpa? Tem. Mas só ele?Não. O Governo Federal tem, assim como os Governos Estaduais e Municipais. Falando francamente o Brasil não tem uma política voltada ao esporte. Aqui falam muito em apoio, diz-se que o esporte é importante para superar problemas sociais, mas, na prática, o que se vê? Talvez a pior mostra disse seja o Atletismo, cujos resultados são mais que pífios, e vão continuar sendo, assim como outras modalidades que literalmente só existem no papel.

Não se iludam: dentro de mais dois anos teremos uma Copa do Mundo por aqui e mais dois anos a maior festa do esporte do mundo, os Jogos Olímpicos. Afora alguns esportes coletivos, casos do Voleibol e do Futebol (esse tem o dever de ser o melhor), os outros vão continuar sendo meros coadjuvantes, a maioria se classificando não por capacidade técnica, mas porque o país será sede e então pode indicar quantos esportes queira participar.

Francamente: o que o Brasil gastou com atletas como Cielo, Murer, Magi, Guilheiro, e outros mais, não seria mais bem empregado se essa dinheirama tivesse sido direcionado para escolhinhas desportivas? Pelo menos, ainda que não saíssem dali campeões certamente se estaria investindo em cidadania.

Sobre os Jogos (observo que estou escrevendo na terça-feira, ainda sem semi-finais realizadas) ainda fico com uma observação que saltou claramente à nossa vista: o profissionalismo do time feminino de voleibol dos Estados Unidos. Quando (inclusive aqui no Brasil) se esperava que o de time de Hooker iria “abrir” para as turcas na última rodada, as meninas norte-americanas jogaram com a seriedade de sempre, e destruíram o sonho do reinador brasileiro Sérgio Motta de chegar adiante.

É uma lição a mais que nossos dirigentes esportivos devem tirar dos Jogos de Londres, para onde já foram 10 missões de técnicos brasileiros para conhecer a estrutura inglesa. Vai ver que muitos dos “missioneiros” nem saibam falar inglês, mas ganharam suas diárias em libras. E isso é o que importa para essa gente, dane-se o esporte brasileiro.

Inté outro dia, se Deus quiser!

Lúcio Albuquerque
[email protected]

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