Quarta-feira, 10 de outubro de 2012 - 15h17
Há alguns anos foi Odete Hotman. Depois, mais recentemente, big-brother. E agora foi Carminha. Tudo por causa da minha mania de não assistir novela nem gostar de ver os “heróis” do Pedro Bial (e não foi ele quem, num episódio muito comentado depois, chamou de “herói” um camarada eliminado do BB?).
Pois é: há coisas que acontecem com a gente. Eu estava fazendo um trabalho para a Sedam e fui àquela secretaria, ali na antiga Vila Cujubim, na estrada de Santo Antonio. Na recepção falei com a funcionária e ela mandou que eu aguardasse enquanto o secretário conversava com outra pessoa. Em redor da funcionária havia umas quatro outras senhoras e eu fui sentar num canto para folhear uma revista e esperar.
Foi aí que uma delas virou-se e perguntou: “O que você achou dos eliminados dessa noite?”. Bom, eu estava desligado e perguntei quem havia sido eliminado de que. Aí a perguntadora replicou: “Você não viu o big-brotrer essa noite?”. E como eu dissesse que não, a mulher encrespou.
“Como você não vê o big-brother?” e continuou a conversar com as outras. Recolhi-me ao meu canto e fiquei intrigado: “Como é que eu não vi o big-brother?”.
De outra feita havia sido Odete Hotman (ou nome parecido). Eu estava cobrindo para um jornal uma cerimônia em Ji-Paraná e fiquei bem próximo à mesa que conduzia os trabalhos. Tudo ia normalmente quando fui chamado por um dos componentes, pessoa de alta responsabilidade política no Estado e o camarada mandou ver:
“Lúcio, essa cerimônia está comprida e chata. Hoje é o último capítulo da novela e será que dá para você ir ver se já sabem quem matou Odete Hotman?”.
Respondi que não iria porque, primeiro eu não sabia quem era essa Odete. Depois porque estava fazendo anotações para a reportagem.
E nesta segunda semana de outubro deste ano de 2012 aconteceu novamente. Estava eu outra vez fazendo cobertura de um evento, agora em Porto Velho, quando uma pessoa muito conhecida minha, e do público em geral, que estava à mesa diretora dos trabalhos fez sinal e me aproximei.
O cara estendeu um papel e o telefone dele mesmo. O bilhete dizia: “Lúcio, liga para minha mulher nesse número aí e pergunta a ela como está a Carminha”. Passou um filme dos dois fatos anteriores na minha memória, resolvi não atender, mas como o discursante estava muito enfadonho, desses oradores que não diz nada, mas que alonga o que pode a sua fala, resolvi atender.
Peguei o telefone, saí da sala e liguei para a madame que, pela forma de atendimento, deve ter desconcentrado da televisão e não deve ter gostado nada disso. Fiz a pergunta e tive a resposta: “A Carminha apanhou de novo”. Anotei num papel e trouxe para o cidadão. Ele leu e mandou outro recado: “A Globo tem de botar a Maria da Penha nessas novelas”.
Terminada a solenidade eu contei ao amigo os dois fatos anteriores e saímos rindo dessas coisas que acontecem com a gente.
Lúcio Albuquerque
[email protected]
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