Terça-feira, 19 de maio de 2026 - 07h50

Uma foto bem conhecida na história de Rondônia, a do presidente Juscelino Kubitschek “desfilando” sobre uma árvore, que republico neste capítulo da série “Heródoto estava certo”, inserida numa grande reportagem na revista mais importante do Brasil, “O Cruzeiro”, que narrou a presença de JK em julho de 1960, quando as turmas de construção da BR-29, depois 364, se encontraram nas proximidades num local na divisa de Mato Grosso com Rondônia.
Presentes à festa grande número de índios de várias etnias, além, claro, da comitiva presidencial que incluiu a senhora Sara Kubistchek, esposa de JK, duas filhas do casal, ministros, dirigentes das empresas da construção da rodovia e mais de duas centenas de trabalhadores e jornalistas dos principais jornais brasileiros e alguns repórteres estrangeiro.
No dia 5 de fevereiro de 1960 JK foi à televisão e anunciou a construção da rodovia Cuiabá (MT)/Rio Branco (AC) ou, como a chamou o então governador do Território de Rondônia, Paulo Leal, “O Outro Braço da Cruz” – referência ao fato da BR-29 interligar a Amazônia Ocidental a Brasília via Cuiabá, e dali a Brasília que já centralizava vias rodoviárias a Belém (PA), Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS).

A cerimônia com JK foi segunda-feira, 4 de julho de 1960, o avião em que veio, um C-47 da FAB, desceu no pequeno aeroporto de Vilhena e de lá foram para o Marco 727, onde foi celebrada uma cerimônia sendo colocada uma placa para marcar o fato, com Juscelino subindo num trator cartepilar D-8 para derrubar a árvore que marcava o encontro das duas turmas, a vinda de Porto Velho e a de Cuiabá.
Ouvi três pessoas presentes (*) ao fato e narraram a mesma ocorrência: para facilitar a ação do trator, o presidente, de paletó e gravata, assumiu o comando da imensa máquina que o operador fez um círculo e quando JK assumiu a máquina “a árvore pendeu para o lado que ele estava”. A seu lado o operador assumiu o comando e recolocou o pesado trator em condição de derrubar.
“E a foto do JK na passarela?”. Árvore derrubada, palmas e etc, Juscelino desfila sobre ela, sorridente. E o que o Euro tem a ver com a foto? Naqueles tempos os equipamentos eram analógicos, e de repente o fotógrafo da revista “O Cruzeiro” vem falar com o Euro. “O cara era um profissional de alto nível, mas alegou que dera um problema em sua máquina. Ele perguntou se eu fizera a foto, e pediu que eu lhe desse o rolo de filme da minha, eu dei e ele disse que publicaria me dando o crédito”.
“Ele publicou, mas nunca me deu o crédito. Eu o livrei de um problema sério e ele não cumpriu o prometido. E quando a revista (O Cruzeiro) circulou deu o crédito para ele mesmo”, dizia, rindo, o jornalista Euro Tourinho.
(*) Euro, diretor do jornal Alto Madeira e os funcionários do governo do Território Esron Menezes e Walter Bartolo.
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