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Lucio Albuquerque

Memórias de uma chegada


Memórias de uma chegada - Gente de Opinião

Conheci o Zé Carlos Sá logo depois dele chegar a Porto Velho e quando ingressou no Alto Madeira fizemos juntos várias matérias dentre as quais destaco as com o ex-guarda territorial Mariano (pai do coronel Walnir Ferro), a senhora Labibe Bartolo e as professoras Marise Castiel e Aurélia Banfield (na foto o gravador do Zé aparece mais que ele). Em Brasília entrevistamos os ex-governadores Humberto Guedes e Jerônimo Santana. Ele contribuiu muito para meu livro “A cesta página de um repórter”. Aposentado, o Zé Carlos mora na grande Florianópolis. É dele o texto a seguir. (Lúcio Albuquerque)

Memórias de uma chegada

Zé Carlos Sá 

No dia 13 de abril de 1986 desembarquei em Porto Velho, contratado por 15 dias para diagnosticar o que estava acontecendo no Departamento de Comunicação do Governo do Estado de Rondônia.

Fui recebido no dia seguinte pelo governador Ângelo Angelin — um ex-professor —, que reclamava dos releases distribuídos à imprensa: traziam erros básicos de ortografia, e os jornais publicavam fac-símiles (o “print” da época), destacando os deslizes gramaticais e ortográficos, sempre lembrando que se tratava de textos oficiais.

Esse aí sou eu!  - Gente de Opinião
Esse aí sou eu!

Ele acreditava que a assessoria de imprensa estava sabotando seu governo, enviando textos com erros propositais. Angelin exercia um mandato-tampão, entre o último governador nomeado pelo regime militar e as eleições previstas para 1987.

Não precisei de muito esforço para perceber que a maioria dos colegas do departamento carecia de experiência em redação. Muitos haviam saído diretamente das faculdades para a assessoria, onde também faltava alguém que os orientasse ou revisasse os textos antes da distribuição.

Nas conversas com jornalistas e pessoal de apoio, logo percebi que havia uma figura temida por todos. Editor do jornal Alto Madeira, atendia ao telefone de forma peculiar: em vez do “alô” convencional, perguntava “Quem morreu?”. Isso causava desconforto a quem precisava transmitir um convite para coletiva ou solicitar espaço para uma nota oficial.

Suspeitava-se ainda que era ele quem pegava os boletins do governo, corrigia-os com caneta vermelha, fotografava e publicava ao lado do texto reescrito.

Pouco tempo depois fui apresentado a esse jornalista, que se autodenominava “repórter da província”. Trabalhamos juntos e somos amigos até hoje.

Foi graças ao amigo Lúcio Albuquerque que fui para Rondônia, onde vivi 34 anos, consolidei minha profissão e a quem devo gratidão.

Há males que vêm para o bem.

Veja também:

Esse aí sou eu! Por José Carlos Sá

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