Quarta-feira, 10 de agosto de 2016 - 15h51

Carlos Neves (E), Carlos Henrique ao lado do jornalista Euro Tourinho e Heitor Costa (D)
Lúcio Albuquerque, repórter
A Quétila parece que sabe da notícia antes de muita gente. Neste 11 de agosto, Dia da Justiça, ela mal abriu o computador e informou: “Conhece aquele jornalista Carlos Neves?” E antes que eu dissesse que sim, ela antecipou: “Morreu essa madrugada”. Do choque, apesar de sabê-lo doente há algum tempo, veio aquele “filme” que me perpassa todas as vezes com quando também tomaram o “expresso da meia noite” outros companheiros com os quais convivi, o Danin, o Ivan Marrocos, o Paulo Correia, a Marizete, o Edinho Marques, o Walmir Miranda, a Jacy Wanderlei, o Jorge Santos, a lista é grande e inclui o “general” Manelão e o boêmio e compositor Walter Bártolo.
Conheci o Carlinhos quando ele ainda era gráfico em O Guaporé e, de quebra, ia fazer matéria no campeonato de futebol no Aluizão, no finalzinho da década de 1970, e sempre com aquele seu estilo gozador. Depois, por indicação minha, ele ingressou naquela equipe que o Alto Madeira reuniu na década seguinte comandada pelo Ivan Marrocos, ajudando o João Tavares no noticiário esportivo.
Nos anos 1990 eu era “freguês” do sítio de seus pais, na BR-364 pouco antes da “Fazendinha”. Quando vinha da estrada era comum parar ali, tomar um café, ouvir o pai dele contar causos e, tantas vezes, sair dali com um saco de mangas ou goiabas.
Em 1983 ingressei na Assembleia Legislativa e um ano depois o deputado Walter Bártolo pediu que eu indicasse um jornalista para assessorá-lo, mas recomendou não querer “alguém que peça muito”. Indiquei o Carlinhos que depois passou no concurso e ficou no quadro efetivo, na Assessoria de Imprensa onde já estávamos eu, a Ivalda Marrocos, o Carlos Sperança, o Marcos Grutzmacher, o Lenílson Guedes, o Elvestre Johnson.
Na Assembleia a seriedade profissional do Carlinhos ganhou logo um bom espaço, especialmente pela imparcialidade no registro dos fatos ocorridos nas sessões legislativas ou em outras ocasiões. E foi essa seriedade que o levou a ser requisitado por órgãos os mais diversos, como Iperon, TRT, Ministério Público estadual (onde fez um trabalho muito bom ainda hoje lembrado por quem o conheceu).
Entre um e outro sempre voltava para a Assessoria de Imprensa da ALE, onde, nas várias vezes que chefiei o setor ele funcionou como conselheiro, num dos casos quando estávamos (participava também o jornalista Júlio Aires) da comissão que tratou da concorrência para contratar empresa para cuidar da questão publicitária da Assembleia.
Ah! Sim! E por que “Seven”, como está no título. É que na década de 1990 eu escrevia uma coluna diária chamada “Pingos Políticos” e o Ivan mandou que eu incluisse aí, diariamente uma historinha com os nomes da turma da redação, mas com nomes trocados – fáceis de identificar.
Tínhamos o Navi (Ivan), o Ogirdor (Rodrigo), Oluap (Paulo), Egroj (Jorge) e, claro, o Seven (Neves,Carlos).

Tenho certeza que a dor da perda é grande, mas também sei que quem plantou boas árvores deu frutos bons e por isso será lembrado, como é o caso do Carlinhos Neves que, agora, deve estar encontrando os que chegaram antes dele ao Valhalla. (Fotos: Arquivo/Gente de Opinião)
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