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Lucio Albuquerque

O CAMINHÃO BANDEIRANTE


JK recebeu de Manoel Rodrigues Ferreira a carta que levou o presidente a aderir à ideia de construir a BR - Gente de Opinião
JK recebeu de Manoel Rodrigues Ferreira a carta que levou o presidente a aderir à ideia de construir a BR

Há nomes e causos da nossa tão jovem história que poucos os conhecem, apesar de serem tão recentes que muitos dos personagens ou os fatos estão aí, como se diz no interior amazônico, “vivinhos da silva”, como foi a base da pergunta feita domingo sobre o “Caminhão Bandeirante” e que relação com o veículo teve o jornalista e historiador Manoel Rodrigues Ferreira.

O autor de “Ferrovia do Diabo” um dia veio a mando do jornal que trabalhava, na década de 1950, a Porto Velho, andou no trem da Madeira-Mamoré e levou uma espécie de relatório de viagem ao presidente JK (1956/61) e a carta de um agricultor da margem da ferrovia, apelo ao presidente para que tivesse dó daqueles que moravam ao longo da ferrocarril chamada Madeira-Mamoré.

Essa carta pode ser um dos motivos que levaram JK a aderir à ideia de abrir uma rodovia ligando nossa região da Brasília, decisão que ele tomou logo após a reunião com os governadores da Amazônia em fevereiro de 1960, quando ouviu a queixa-apelo do governador do Acre que historiou a odisseia que era fazer chegar uma carga saída do porto de Santos até chegar a Rio Branco, de 6 a 9 meses, seguida da cobrança do governador de Rondônia, Paulo Leal, a favor da ideia de construir o que Leal designou “O outro braço da cruz”.

Paulo Leal discute com Manoel Rodrigues Ferreira detalhes sobre a BR - Gente de Opinião
Paulo Leal discute com Manoel Rodrigues Ferreira detalhes sobre a BR

E o que toda essa peroração tem a ver com o “caminhão bandeirante”. Em 1959 Paulo Leal estava pela segunda vez governador do Território. Engenheiro rodoviário ele devia viver obcecado com a ideia de repetir a viagem de Rondon, e, mesmo sabendo que não tinha estrada  capaz de atingir seu objetivo, mandou três funcionários buscar um caminhão em São Paulo e tentar chegar “rodando” em Porto Velho.

O caminhão, apelidado “Bandeirante” veio por estradas ou o que fosse, até Cáceres (MT), daí numa balsa até Guajará-Mirim e dali a Porto Velho, onde tripulantes e o veículo foram recebidos com festas e pompas. E o que o autor da “Ferrovia do Diabo” tem a ver?

Ele estava em Porto Velho, outra vez a serviço do jornal paulistano, e participou da festa.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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