Domingo, 8 de janeiro de 2012 - 10h58
Numa terra em que data, fato e personagem históricos só servem para gerar feriado, a maioria nem isso, sem qualquer informação ou respeito maior do que o calendário, deve ter passado despercebido a muitos leitores a mensagem assinada pelas empresas Marquise e EcoPorto, para (supostamente, porque não há qualquer menção à data) marcar o 30 ano de instalação do Estado, dia 4 último.
Mas um jornalista antigo por aqui, assessor de um órgão estadual, leu, não gostou e telefonou perguntando se haviam mudado a letra do hino oficial do Estado, o Céus de Rondônia,construído há mais de 60 anos, letra de Joaquim de Araújo Lima e música de José Vicente de Mello e Silva (música), o primeiro que foi governador, depois patrono da avenida que a maioria da população conhece apenas por Abunã, e o segundo juiz de Direito, com os arranjos do maestro Francisco de Morais, mestre da Banda de Música da Guarda Territorial, com a colaboração do músico Antônio Pereira Dantas. O título original do poema é Céus do Guaporé e a sua adaptação vocal é em Si Menor, conforme o maestro Carlos Sinfonte em entrevista ao jornalista Zé Katraka publicada no jornal Diário da Amazônia e site www.gentedeopiniao.com.br.
Quanto à pergunta do jornalista antigo, respondi que não tinha conhecimento. Pensei que era uma pegadinha, mas quando consultei a publicação na página A-5 do Diário da Amazônia (não sei se foi inserido assim nos outros jornais, com os mesmos erros), levei um susto, tal a violência praticada contra o grande símbolo do Estado, seu hino.
Sobre o assunto procurei duas fontes ligadas à História local, os professores e historiadores Abnael Machado de Lima e Antonio Cândido. E resolvi consultar o site rondônia.ro.gov.br, site oficial do Governo do Estado e lá encontrei a letra como reproduzida na publicação assinada pelas duas empresas.
Havia pelo menos três erros grosseiros no texto constante do site oficial do Estado em relação ao texto original (letra original a seguir e expliocação a respeito dos erros):
1 - Quando nosso céu se faz moldura/Para engalanar a natureza/Nós, os bandeirantes de Rondônia/Nos orgulhamos de tanta beleza. (A palavra destacada foi trocada por orgulharmos).
2 - Nesta fronteira, de nossa pátria/Rondônia trabalha febrilmente/Nas oficinas e nas escolas/
A orquestração empolga toda gente. (As palavras destacadas foram pluralizadas: Nestas fronteiras).
3 - Braços e mentes forjam cantando/A apoteose deste rincão/Que com orgulho exaltaremos/Enquanto nos palpita o coração. (A palavra assinalada foi trocada por foram).
Alguém pode até atribuir a excesso de preciosismo que se tenha reclamado pela troca de algumas palavras num texto. Não penso assim, da mesma forma como não concordo com ato de corrupção seja de que lado tenha sido praticado. E, especificamente em se tratando de um símbolo de tanta grandeza do nosso Estado, sou de opinião de que mesmo aqueles que tenham vindo a Rondônia apenas para melhorar de vida ou para ganhar dinheiro aqui, sem qualquer responsabilidade com essa terra prometida, todos devemos praticar o respeito que se deva ter pelo que nos acolhe e de onde tiramos o pão nosso de cada dia.
Em tempo: no dia 5 pela manhã conversei sobre o assunto com o produtor Adão Gomes, da RedeTV que mandou uma equipe entrevistar-me e ao professor Abnael Machado. Dia 6, consultando novamente o site rondônia.ro.gov.br, verifiquei que o texto havia sido trocado, agora com a versão correta.
Em nome daqueles que amam essa terra, Muito Obrigado!
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