Sexta-feira, 4 de novembro de 2016 - 21h05

Montezuma Cruz
O notável pesquisador Joselito da Silva Motta até hoje ensina a fazer pizza com fécula de mandioca, tapiocas e beijus coloridos de açaí, beterraba, cebola e maracujá. Beiju é semelhante a uma tapioca, só que fininho e crocante.
Conheci Joselito em 2008 ao visitar a Embrapa Mandioca Fruticultura Tropical em Cruz das Almas (BA). Acompanhei-o depois ao interior de Marechal Thaumaturgo (AC), na fronteira brasileira com o Peru. É um dos maiores conhecedores da “raiz brasileira”.
O versátil e incansável agrônomo já levou a pizzaioca e os beijus coloridos para mostras cooperativistas em Milão e Turim, na Itália. “Chamo aquilo de slow food [oposto de fast food, comida rápida]: cinco mil agricultores de 150 países, especialistas em culinária e outros convidados se reúnem no Salão do Gosto e provam de tudo”, disse-me.
Durante a feira Ciência & Vida em abril de 2010, ensinou a um grupo de técnicas da Emater: em vez de receber água, a fécula (goma) é hidratada com o suco ou a polpa das frutas e hortaliças. Os beijus ainda podem ser consumidos com leite condensado, melado de cana, mel, doces e geleias.
O amido de mandioca tem na araruta um campeão. O beiju colorido entra na merenda escolar em diversos municípios baianos. Nos Estados Unidos, o amido é utilizado para lubrificar armas; na Zona Franca de Manaus, para fabricar embalagens de eletroeletrônicos; dele derivam centenas de produtos.
Taí a dica aos municípios rondonienses e amazônicos: acrescentem beijus na alimentação e nutrição escolar. E nos dias festivos, sirvam a “pizza de mandioca” [com a fécula, repito]. Saúde!
Contato: [email protected]
Repórter na Secom-RO. Chegou a Rondônia em 1976. Trabalhou nos extintos jornais A Tribuna, O Guaporé, O Imparcial, O Parceleiro, e na sucursal da Empresa Brasileira de Notícias (EBN). Colaborou com o jornal Alto Madeira. Foi correspondente regional da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil.
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