Terça-feira, 10 de março de 2020 - 13h05

INDIGNAÇÃO
Os cafeicultores do estado estão
revoltados, e com razão, pela exclusão apenas de Rondônia do reajuste em 15% na
tabela do preço do café conilon, em (quase) todo país. O Ministério da
Agricultura (MAPA) foi o responsável por estabelecer o aumento e por retirar da
tabela o café produzido em Rondônia sem uma explicação plausível. O conilon é a
espécie de grão que se adaptou bem ao solo rondoniense o que elevou o estado à
condição de grande produtor. A exclusão causou indignação nos produtores, em
particular contra a inércia das autoridades políticas estaduais.
SIAMESES
Na campanha eleitoral o coronel
Marcos Rocha usou e abusou do mantra de que os problemas do estado que
necessitassem de ajuda do governo federal seriam resolvidos na camaradagem, em
razão de uma suposta relação de amizade com o capitão Jair Bolsonaro,
presidente da república. A ideia que passava ao eleitor era de uma relação
siamesa, mas, ao que parece, não era verdade. Várias questões administrativas
de interesse de Rondônia, e que poderiam ser resolvidas com uma caneta
presidencial, o coronel não tem sucesso.
INÉRCIA
A agilidade nos processos da
transposição, dívida do Beron e, agora, a exclusão do estado no aumento da
tabela do conilon, são exemplos clássicos da inércia política do governo estadual,
além da bancada federal. Sobre a falta de apoio do governo federal, é possível
deduzirmos que a amizade tão explorada em campanha entre o coronel e o capitão
era pura lorota. Amigo e irmão camarada acolhem um ao outro nas dificuldades.
As de Rondônia são imensas.
TRAMPOLIM
Aliás, em se falando no processo da
transposição, é um tema explorado politicamente em todas as eleições desde
2009. Tem sido um processo lento, moroso e cruel para quem aguarda uma solução
administrativa que definirá seu futuro profissional. A coluna foi aos
bastidores e descobriu que há mesmo uma embromação proposital de tecnocratas
que criam obstáculos nas análises dos processos para atender interesses
políticos inconfessáveis. O que não falta são os manipuladores que usam o tema
e a angústia do servidor como trampolim para as ambições políticas.
ECONOMIA
A crise mundial que afeta os
mercados internacionais é a prova de fogo para o falante ministro da economia
Paulo Guedes. Mais de 40 bilhões das nossas reservas foram usados para tentar
conter a escalada do dólar e impedir a quebradeira das bolsas. Quando a
economia vai mal o governo padece, é assim aqui e alhures. Esta crise tem
característica cascata. Discurso cascateiro não conterá o abismo e nem segura
também ninguém.
ENQUETE
Em momentos pré-eleitorais, como
agora, é comum que vejamos todo tipo de enquete aferindo a popularidade dos
nomes que circulam nas mais variadas mídias digitais para as eleições
municipais. A enquete, devido à carência de instrumentos científicos, não afere
bulhufas nenhuma, em particular a preferência do eleitor. Apenas anima as
torcidas dos prováveis candidatos e infla os egos dos pesquisados. Quanto aos
números tabulados, acredita quem quiser. A ilusão reacende esperanças nos
períodos pré-eleitorais. O jogo da sucessão municipal vale de verdade depois
das convenções. O resto é lorota!
OPÇÕES
O professor universitário e
ex-candidato a governador Vinícius Miguel ainda não definiu o futuro político a
seguir este ano. Há duas probabilidades: disputar as eleições municipais da
capital ou ser candidato a reitor da Universidade Federal de Rondônia. Em ambos
casos, é um nome com capilaridade política capaz de surpreender outros mais
badalados. Nas eleições estaduais passadas, exceto o fenômeno Bolsonaro que
catapultou um desconhecido coronel ao cargo de governador, Vinícius surpreendeu
com a maior votação na preferência dos eleitores da capital. Uma opção em que o
eleitor percebeu como renovação na política sem discursos ideológicos atrasados
nem em desuso.
VICE, NUNCA!
O professor Vinícius avalia com
tranquilidade as probabilidades eleitorais e, em uma conversa franca com este
cabeça chata, a única decisão é que não vai aceitar proposta para coadjuvar
campanha de ninguém. Há muitos convites para que ele aceite ser vice-prefeito.
São convites oportunistas de olho gordo no eleitorado jovem que compreendeu as
propostas do professor e a capilaridade acumulada nas eleições estaduais
passada são credenciais suficientes para pleitear o cargo de prefeito. Se
vai repetir o mesmo desempenho, saberemos após as urnas apuradas. Nada
adiantará os espertos fazerem as previsões cabalísticas contrárias. Se tiver
juízo: vice, Vini, nunca!
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