Segunda-feira, 29 de agosto de 2016 - 15h24
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Em todas as campanhas rondonienses em que o Ibope lança seus números vira um quiproquó nos comitês eleitorais. Mas parece que desta vez os percentuais aferidos aos candidatos a prefeito da capital não provocaram nenhuma surpresa e nenhum quiproquó entre os candidatos e os respectivos comitês eleitorais. Primeiro porque tradicionalmente eleição na capital toma uma feição depois da segunda quinzena de setembro. Segundo, porque os comitês monitoravam o desempenho dos seus candidatos e sabiam mais ou menos a situação de cada um. É possível que um ou outro oscile pra cima ou pra baixo em relação aos percentuais divulgados, no entanto, caso tenha ocorrido, estaria dentro da margem de erros do instituto que é de quatro por cento (aliás, acima dos anteriores usados pelos institutos).
Os índices altíssimos de rejeição de Mauro Nazif (PSB) e Roberto Sobrinho (PT), apontados pelo Ibope, não surpreenderam também nenhum dos dois. As pesquisas retratam o momento da campanha e tendem a mudar com o desenrolar dos fatos. Contudo, ao que parece, esses percentuais (rejeição) estão consolidados, o que significa dizer que os reflexos deles são destruidores para quem almeja vencer um pleito em dois turnos. A coluna se apressa em sustentar que são intransponíveis na hipótese de um desses candidatos se habilitar para a final.
É fácil também deduzir os motivos pelos quais o petista Roberto Sobrinho lide'ra a disputa da prefeitura de Porto Velho. Embora tenha sido retirado à força pela justiça do mandato de prefeito e amealhado uma derrota retumbante nas eleições passadas para deputado federal, o petista aparece em primeiro lugar por representar nesse momento inicial da campanha o contraponto à desastrada (des) administração de Mauro Nazif (PSB). Não há uma única obra ou ação administrativa que o eleitor reconheça como marca positiva da gestão Mauro Nazif, o que reforça o número avassalador de repulsa a uma (des) administração em nossa capital.
Ao cotejar em geral com as ações administrativas da gestão de Sobrinho, em particular o primeiro mandato, quando lançou um enorme projeto de regularização fundiária, os programas sociais do governo federal "Minha casa, minha vida" e "Bolsa família", com a gestão no neossocialista Mauro Nazif, é claro que o eleitor mais necessitado passa a sentir saudades da administração petista: pois percebe que sua vida eram muito melhor do que neste momento. Daí que este recall favorece o imberbe Sobrinho neste início de campanha eleitoral.
Numa eleição municipal as diferenças entre o candidato que fez e o que pensa que faz ficam claras, o que não ocorre numa eleição pulverizada de deputado federal onde há um ideológico em razão de ser uma eleição casada com governo e presidente. Razão pela qual o petista aparece temporariamente na frente.
Mauro Nazif é o melhor cabo eleitoral que Roberto Sobrinho dispõe e ambos vão rivalizar no mesmo campo eleitoral (eleitores dos bairros mais periféricos), abrindo um espaço enorme para os demais adversários explorarem. Como na física dois corpos não ocupam o mesmo espaço, é possível intuir que entre os concorrentes um deles inicia a disputa sendo excluído a priori pelo eleitor exigente de nossa capital.
Esta é uma campanha atípica com um eleitor incrédulo em relação aos políticos em geral. Os programas de TV, rádio e mídias sociais vão ser decisivos para a definição do voto e levará vantagem quem errar menos. Embora as pesquisas ajudem a animar a militância dos candidatos, não são em si decisivas na hora do eleitor escolher em quem votar. É um ledo engano achar que a influência das pesquisas definam votos o que leva os apressados a comemorar antes do tempo. Há um equívoco do homem médio em achar que o eleitor é ignorante e não sabe votar e burro é o candidato que acreditar nessa esparrela. Já dizia uma raposa da política mineira: "Política é como nuvem..."
Caiu muito a qualidade técnica dos programas eleitorais em relação às campanhas pretéritas. É possível que a pindaíba por que passam os comitês sem os financiamentos nada republicanos tenha influenciado, além de uma legislação eleitoral tão perversa quanto os seus redatores.
Mas o candidato à reeleição Mauro Nazif conseguiu unir em seu programa de TV uma qualidade técnica razoável com um texto de péssima articulação ao começar a campanha dizendo que passou quatro anos na prefeitura arrumando a casa. Fosse candidato a doméstica estaria fadado a inflar os percentuais dos desempregados. 
Mesmo sendo alvo de críticas acerbas que beiram ao insulto, o candidato Roberto Sobrinho mostra uma capacidade incomum de resistência política. Em qualquer local do município os eleitores sabem dos problemas judiciais enfrentados pelo candidato e o legado nada lisonjo que deixou após ser apeado da prefeitura. Ainda assim, assombra os adversários largando na ponta da disputa. É muito cedo para avaliar se o petista terá força para suportar as críticas e as acusações que pesam sobre si, mas na hipótese de alcançar o segundo turno é o adversário ideal para ser vencido por qualquer concorrente. Mas está vivo e não deve ser subestimado.
Embora seja verdadeira a informação de que tecnicamente Roberto Sobrinho estaria inabilitado juridicamente para concorrer às eleições, não é correto afirmar que esteja fora da disputa. Explico: transitou em julgado o processo pelo qual estão pedindo a cassação do registro do petista, razão pela qual muitos comemoram antecipadamente o resultado processual.
Ocorre que, por conveniência do próprio réu em não interpor um recurso cabível que exigiria um preparo econômico considerável, optou com seus defensores por manejar um recurso revisional - segundo apurou a coluna junto à parte ré, existe um erro processual capaz de modificar a coisa julgada. Roberto Sobrinho sabia antecipadamente que a situação jurídica seria delicada, mas não intransponível. Deverá conseguir manter-se na disputa sub judice, algo muito complicado para qualquer candidato. Não para quem está sob pau desde que deixou a prefeitura para um dia de cárcere. A estratégia processual estudada e decidida pelo réu foi arriscada, mas para o candidato foi acertada visto que tentará incutir no eleitor de que é vítima de perseguição. Se vai dar certo é outro papo!
Ademais, no caso em concreto, vigora em favor do petista o litisconsórcio passivo, ou seja, como há no processo outros réus, que interpuseram recurso a sentença, implicará na incidência do artigo 1.005 do CPC\2015, cujo teor dispõe que "O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo distintos ou opostos os seus interesses". Significa dizer que os defensores do candidato deverá também manejar um Mandato de Segurança para retificar a certidão anteriormente expedida, de modo a assentar que, embora tenha decorrido o prazo recursal, não opere o trânsito em julgado. Aos iniciantes em campanha eleitoral é bom lembrar que a velha fórmula de bater a qualquer custo nem sempre surtiu efeito eleitoral em campanhas pretéritas. Se querem impedir Roberto Sobrinho no segundo turno, apresentem uma proposta exequível ao eleitor e discutam os sete anos da administração do petista que deixaram a nossa capital da forma horrorrosa que se encontra. E Mauro não teve competência para arrumar.
Quando a burocracia é maior que a vontade de servir ao próximo ou quando provoca retrocesso expõe a mais perversa face da administração pública. É o que aconteceu na decisão do MPF de Rondônia ao retirar da responsabilidade do procurador Reginaldo Trindade o acompanhamento das questões envolvendo a etnia 'Cinta Larga', índios que vivem numa gigantesca reserva de diamantes que tem provocado a cobiça dos mais variados grupos econômicos e contrabandistas. São mais de dez anos de trabalho árduo em busca de políticas públicas de proteção e inclusão dessa etnia. Não há dúvida de que o substituto do procurador tenha também compromisso em buscar solução para os mais variados problemas dos 'Cinta Larga' e empenho total em fazer cumprir a lei. Mas não terá a mesma expertise de quem conhece a questão há uma década com resultados concretos positivos. A questão indiginista não é um tema a ser abordado tão somente pelos aspectos jurídicos sem que as questões antropológicas e culturais estejam presentes.
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