Domingo, 6 de março de 2011 - 07h50

A BUROCRACIA QUE CONFÚCIO E TODOS
OS BRASILEIROS TÊM QUE ENFRENTAR
O governador Confúcio Moura quer fazer. Planeja fazer, corre atrás, mas, como depende da infernal burocracia, o governador rondoniense parece que já se conformou. E escreveu em seu blog que um projeto, a partir da sua apresentação ao governo central, de onde vêm os recursos, pode demorar entre cinco e dez anos para se concretizar. “Só para apresentar um projeto e vê-lo aprovado, leva pelo menos três anos”, reclama Confúcio. Ele tem razão, é claro. O Brasil criou um emaranhado profundo de burocracia, exatamente para dificultar a vida das pessoas comuns, incluindo nelas governantes que assumem seus cargos cheio de planos, mas que vão sentindo, na pele, o drama de um país feito para não funcionar. E não há solução para esse labirinto, porque, ao resolvê-lo, o governo central poderia não ter mais tanta utilidade, não ser tão procurado, perderia poder e controle do país. Ficamos à deriva, nas mãos de políticos que muitas vezes nem sabem das nossas necessidades e só aparecem na hora de pedir votos. E pior: ficamos de mãos atadas quando as coisas chegam do segundo escalão para baixo, onde muitas pessoas que decidem sobre nossas vidas, sequer sabem exatamente onde é Rondônia.
É um círculo vicioso sem cura. Os governos estaduais, mesmo que quisessem, não têm como se livrar da roda viva que é percorrer ministérios e gabinetes em busca de recursos. Nos estados, o governador não tem poder para diminuir a burocracia, porque ela é imposta pela legislação federal. Governo Federal e Congresso têm agilidade –e muita agilidade – quando tratam dos próprios interesses, principalmente os que envolvem o poder. Afora isso, como Confúcio Moura, temos que entrar na fila. E esperar que a boa vontade de burocratas engravatados, um dia lembre-se que, nesse Estado pequeno mas batalhador da Nação brasileira, tem gente que sofre com a absurda demora na solução de seus problemas.
PORTAS FECHADAS
Até agora, as conversas são a portas fechadas, quase às escondidas. Mas em breve poderá começar a sair para a rua o primeiro grande confronto entre governistas e oposição, em Rondônia. O coro opositor está engrossando, embora tudo, por enquanto, não seja comentado em público. Dentro de pouco tempo se saberá se o que está ocorrendo é apenas movimentação política e boataria ou alguma coisa mais séria.
DIVIDIU
A questão do abastecimento de água está dividindo a cidade de Ariquemes. Foi aprovado na Câmara projeto que tira da Caerd o serviço de saneamento e será criada uma empresa municipal. Mesmo correndo o risco de perder alguns milhões de reais do governo federal, que só repassa recursos à Caerd, a municipalização em Ariquemes foi mantida.
ATÉ PRISÕES
Nesta semana, aconteceu o primeiro confronto. Pelo menos oito pessoas que participavam de um ato a favor da Caerd e contra a Prefeitura, foram detidas por cerca de quatro horas, na Delegacia de Polícia da cidade. A acusação é de que panfletos ofendiam autoridades municipais. Ouvidos, os caerdianos e seus aliados foram liberados. O problema está longe de terminar.
SINUCA DE BICO
O curioso nessa história é que Ariquemes é a cidade do atual governador Confúcuio Moura, onde ele foi prefeito por dois mandatos e seu sucessor, o atual prefeito, Márcio Raposo Londe, é seu aliado. Confúcio agora manda na Caerd, mas a sua comunidade de origem não quer mais a empresa. É ou não uma sinuca de bico?
PRIMEIRO DIA
Cena verídica, assistida num órgão público. Jovem, bonita, chegou em seu primeiro dia de trabalho para assumir cargo para o qual foi nomeada. Entrou na sala, saudou aos colegas e foi avisando. “olha, vou trabalhar só essa semana, depois entro em licença médica. Tenho que fazer uma lipoaspiração”. E mais não disse porque mais não lhe foi perguntado.
UNANIMIDADE
A bancada federal de Rondônia está fechada com a aprovação do novo Código Florestal. É unanimidade. O é também em relação aos deputados estaduais, que foram à Brasília tratar do assunto. O governador Confúcio Moura já deu publicamente sua opinião, em seu blog, apoiando o projeto do deputado Aldo Rabelo. Ou seja, por aqui, todos contra as ONGs internacionais.
MUITA CONVERSA
Depois do carnaval, o governo do Estado deve voltar a conversar com a Assembleia Legislativa sobre a criação do Instituto de Terras de Rondônia. O maior empecilho, ao que parece, é o aumento no projeto original de 17 para, agora, mais de 60 cargos comissionados. A negociação política promete ser longa.
BESTEIROL
Já deu prá sentir como será o nível na Câmara Federal. Primeiro, Tiririca é indicado para a Comissão de Educação e Cultura,. Depois, o líder do governo, Cândido Vacarezza, faz frases infelizes dizendo que o Bolsa Família pode ser usado para compra de cachaça. Infelizmente, vai piorar mais ainda.
LEMBRANDO ULYSSES
Nessas horas, quando o país assiste perplexo a tanta besteira reunida, é sempre bom lembrar uma frase sensacional do inesquecível Ulysses Guimarães: “o Congresso atual será bem pior que o anterior e melhor do que o próximo”. Precisa dizer mais alguma coisa?
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Fonte: Sergio Pires - [email protected]
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