Domingo, 7 de março de 2021 - 09h20

Apesar de considerar o
jornalismo um meio imprescindível para a sociedade, nos últimos tempos, devo
dizer que a imprensa tem sido lastimável. Em especial a grande imprensa tanto a
escrita, quanto a televisada e até mesmo a de mídias sociais. Tem se prestado
mais para a desinformação no que se faz sobre a pandemia com a adoção incondicional
do lado antissocial e antilibertário do lockdown sem que, a rigor, existam
justificações plausíveis para isto. São evidentes as concessões do jornalismo
aos interesses econômicos, políticos e, até mesmo, falseando ou omitindo o
evidente descontentamento das pessoas com as medidas públicas contra as
restrições às suas atividades econômicas e suas liberdades. No Brasil,
principalmente, são feitas matérias
vergonhosas e sem fundamento sem o menor
pudor. E a imprensa escrita, quem mais perdeu poder, perde também a
oportunidade de buscar novos caminhos para seu negócio, de tentar um novo
formato que lhe dê sustentabilidade. E isto é muito possível. O comprova,
recentemente, o caso da jornalista Sinead Boucher, que, em plena a crise, virou,
no ano passado, dona de jornal Stuff, na Nova Zelândia, que, para desespero dos
que falam sobre os preços das privatizações, comprou o jornal por apenas US$ 1
dólar, valor simbólico. É. Uma empresa que possuía uma tradição com mais de 400
funcionários como não equilibrava as contas foi entregue de mão beijada para
sua dirigente. Só governos que aguentam prejuízos em empresas. Empresários se
livram de qualquer forma do que dói no bolso. Boucher afirmou que comprou a
empresa porque “era melhor do que não fazer nada”. Com uma equipe que aceitou
fazer um corte de 15% nos salários partiu para lançar um programa de
contribuições dos leitores, fez um pedido de desculpas pela cobertura histórica
em relação a minorias e, surpreendentemente, para quem precisava desesperadamente
de recursos, abriu mão do tráfego e da receita gerada pelo Facebook (o jornal
tinha na plataforma quase 1 milhão de seguidores, e mais 134 mil no Instagram).
A razão principal foi porque o Facebook transmitiu ao vivo um ataque terrorista
a uma mesquita na cidade neozelandesa de Christchurch. O Stuff considerou
“profundamente insatisfatória” a resposta da gigante digital ao caso que chocou
o mundo e desistiu de apoiar a plataforma que fez exposição pública da
violência. Para Boucher, o mais importante é levar informação de qualidade e
confiável em especial para as populações mais pobres. Também reconhece que o
Stuff é privilegiado e pode fazer esta experiência por estar num país pequeno e
contar com uma forte presença digital, o
que permitiu seu sucesso ao sair do Facebook, todavia, encorajou outros meios
de comunicação a deixar as plataformas, pois, os prejuízos podem ser menores do
que parecem à primeira vista. Segundo ela, os ganhos são muito maiores porque
essas plataformas gigantes impõem suas normas e quando não se depende delas se
ganha um enorme apoio do público, maior confiança e a equipe de redação fica
muito mais feliz por não estar mais sendo submetida às restrições indisciplinadas,
por exemplo, do Facebook. Pode ser até que a experiência não seja repetível,
porém, é ousada e demonstra que é possível para o jornalismo se manter com boa
qualidade mesmo nesses tempos onde parece só subsistir o jornalismo de
repetição e copia e cola. Quem sabe não surjam novos exemplos de busca do
jornalismo imprescindível, o que busca informar, analisar e mostrar os lados da
questão para que o leitor tire suas próprias conclusões.
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