Quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011 - 18h56
A Economia ganhou, não sem razão, a denominação de “ciência triste”. A razão reside que, embora seja política e da política dependa, há certos aspectos qualitativos e quantitativos dos quais não se consegue fugir. Quando se fala em desenvolvimento, por exemplo, é impossível que ele exista, que um país consiga crescer se sua população não consome menos do que a renda nacional, de forma a permitir que parte do PIB seja composto de bens e serviços não de consumo, mas, de poupança que possa se transformar em investimentos. Simplificando se a população consome 100% da renda nacional, a produção teria de ser toda composta apenas de bens e serviços de consumo, logo, tudo que se produz é apenas para manter o consumo e não se aumenta a capacidade de produzir no futuro, ou seja, não se aumentam as fábricas, os equipamentos, não se cria formas de ter uma produção futura maior. Isto só é possível se parte do produto total do país seja composta de bens de capital (máquinas, equipamentos, estradas, pontes, etc., tudo aquilo que é chamado de “investimento”) quando a população deixa de consumir parte da sua renda, portanto, quando poupa e investe para aumentar a produção futura.
Assim, em economia, a poupança, a renda não gasta em consumo, é essencial para determinar a continuidade do crescimento e proporcionar o que desejamos que não apenas crescer, mas, crescer com qualidade de vida, isto é, desenvolvimento. È verdade que o investimento pode ser, e no Brasil isto aconteceu e acontece muito, proporcionado por poupanças externas, porém, neste caso, o resultado, o lucro passa a ser, a pertencer em grande parte aos investidores externos. Em outras palavras, quando se fala em investimento nacional se conta com o investimento derivado da poupança nacional mais os investimentos feitos por investidores estrangeiros no Brasil com a poupança trazida do exterior. De qualquer forma não se pode fugir do fato de que se não há poupança não há investimento e a economia não cresce. Portanto, um dos pilares do crescimento econômico é o estímulo à poupança interna, pois, as pessoas somente se sentem estimuladas a poupar (que é a renúncia ao consumo presente) se recebam uma remuneração que lhes permita consumir mais lá na frente. Os economistas costumam dizer que existe um trade-off (troca) entre o presente e o futuro e que as pessoas com renda ganha, somente não consumem hoje, se podem investir para consumir mais amanhã. E, neste caso, é crucial o valor dos juros recebidos sobre a poupança. Ou seja, tem que valer a pena poupar e, no caso, não importa tanto que os juros seja aumente ou diminua, mas, que seja atrativo para o poupador. No caso brasileiro não é, além do fato de que, historicamente, por conta da inflação e das tungadas governamentais, poupar nunca foi um bom negócio. Daí, a poupança doméstica ser muito baixa, girar em torno de 19% enquanto, por exemplo, na China é de 40%. Assim o Brasil tem um nível de poupança muito baixo e, por isto, tem baixo nível de investimentos, logo não pode pretender ter desenvolvimento sustentado, pois, a sua poupança e o seu investimento não lhe dão sustentação. E o governo é deficitário crônico, com uma dívida pública muito alta, que o faz disputar recursos com o setor privado, ser o principal responsável pela inflação, que, em última análise, é a razão que leva o Banco Central a elevar as taxas de juros. Como isto é feito para buscar recursos para pagar os juros da dívida o resultado é o que se vê o governo privilegia o setor financeiro e não o produtivo. É um processo que, entra governo e sai governo, só muda a intensidade, mas, continua o mesmo e não se vê nenhuma solução visível. Nossos problemas continuam os mesmos de dez anos atrás.
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Fonte: Sílvio Persivo - [email protected]
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