Quinta-feira, 7 de agosto de 2025 - 16h58

O empreendedorismo no Brasil desempenha um papel
fundamental na economia e na transformação social. No entanto, a sua realidade
está longe de ser um meio de oportunidades e inovação. Para a grande maioria,
empreender é uma necessidade imposta pelas circunstâncias, uma luta diária para
sobreviver em um ambiente de negócios cada vez mais hostil. Apesar de existirem
mais de 23 milhões de empresas ativas no primeiro quadrimestre de 2025, a
maioria delas enfrenta um ambiente instável e cheio de obstáculos. A burocracia
excessiva, a escassez de apoio financeiro e um mercado desafiador tornam a
sobrevivência uma luta constante. Neste cenário, formalizar um negócio já é um
desafio por si só, com custos de abertura elevados que afugentam muitos
empreendedores em potencial. Como afirma o presidente da Federação do Comércio
de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia, Raniery Coelho, "O
empresário é um otimista que abre suas portas todos os dias na esperança que os
clientes venham", mas está sendo preciso, no momento, muito mais do que
ser otimista nas atuais condições. O empresário tem que se virar de todas as
formas com o aumento dos custos, dos impostos, das obrigações que mudam quase
diariamente.
Além disto, a insegurança jurídica se aprofundou, gerando
incertezas sobre as regras do jogo e deixando os empreendedores vulneráveis a
mudanças abruptas na legislação. O que deveria ser um ambiente de
previsibilidade para o crescimento, tornou-se um campo minado de incertezas.
Em meio a este cenário, a reforma tributária surge como
mais um desafio. Com a promessa de simplificação, ela exige o uso de tecnologias
e eleva a carga tributária, impactando diretamente o caixa de pequenos e médios
negócios. A exigência de novas ferramentas tecnológicas, muitas vezes, é um
luxo que o empreendedor comum não pode se dar, e o aumento dos impostos
funciona como um sócio que só exige e nada oferece.
Enquanto nas redes sociais especialistas e influenciadores
discutem tecnologias de ponta, automação e inteligência artificial, a realidade
do cidadão comum é bem diferente. Para a grande maioria, esses recursos são
inacessíveis, e o que realmente importa é conseguir manter as portas abertas,
mesmo que isso signifique trabalhar em condições precárias. O que parece é que,
apesar do empreendedorismo ser a força vital que sustenta a economia, gerando
empregos e promovendo mudanças sociais, o governo federal ignora as
necessidades e problemas da iniciativa privada. O Estado, muitas vezes, é visto
como um sócio parasita, um obstáculo, e não como um parceiro que deveria
impulsionar o crescimento.
Assim, o empreendedorismo no Brasil não surge como uma
escolha por um sonho, mas como uma estratégia de sobrevivência. E só os mais
resilientes, obstinados e criativos conseguem resistir às adversidades, embora
muitos acabem desistindo pelo caminho forçados por golpes inesperados como
novas tarifas ou aumento de insumos. No fim das contas, empreender no Brasil é
uma luta por uma tábua de salvação, para aqueles que não têm outra alternativa
a não ser lutar para sobreviver.
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