Sábado, 12 de setembro de 2009 - 13h28
O que é uma conferência? Em geral a definição é de que se trata de uma reunião de pessoas para discussão de um tema de interesse comum. Assim uma conferência de determinada política pública tem o objetivo de verificar como está o desenvolvimento desta política em nível municipal, estadual ou federal e quais os caminhos que se podem seguir para resolver os problemas de que tratam. Ora, em geral, tais conferências são criadas e convocadas pelos chefes dos executivos, ou seja, embora haja um chamamento da população para sua organização, na prática, o que existe é quase sempre uma tentativa de coonestar certas decisões já tomadas sobre políticas públicas. É claro que para tirar o ar de oficialismo se torna praxe criar uma comissão organizadora que tem uma participação de diversos órgãos e entidades, de forma que a própria comissão já se trata de uma conferência. Depois de tantas que já assisti, muitas vezes, me espanta que as pessoas, muitas novas no tema, façam o mesmo discurso que outros já fizeram destacando o caráter “democrático” e a importância dos “avanços” ou da discussão pelo “coletivo”, enfim, esses jargões bem ao gosto de ONGs e lideranças sindicais, que me parecem cada vez mais encantadores. Tem o mesmo encanto que ler José Dirceu reverberando contra o Estadão, por exercer a liberdade de criticar o governo Lula, com adjetivos como “de direita” ou de que está a serviço das “forças retrogradas”. Ou seja, só faltou citar o imperialismo para que me sentisse no século passado. E dizer que a verdadeira liberdade de imprensa só existe quando se escreve o que ele deseja ler.
Bem é preciso que esclareça que escrever sobre conferências me veio à mente por ter participado de uma audiência sobre uma e da preparação da organização de outra recentemente. Aliás, nunca antes neste país, houve tantas e tão ruidosas conferências. Sem pesquisar me ocorre mentalmente algumas que participei, como a Conferência dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, a da Igualdade Racial, a do Meio Ambiente, a de Segurança Pública, da Saúde, da Educação, a de Direitos Humanos, a de Cultura, agora tem a de Comunicação que virá por aí, a de Cidades. Estas, sem esforço, são as que me lembro. Os processos são todos semelhantes. Aprovam um regimento, que já veio elaborado, a toque de caixa e há uma “votação dos delegados” ( é claro que qualquer um pode ir, mas, ser delegado é outra coisa. É ter a viagem e as despesas pagas). Em geral, por uma coincidência aritmética e planejada, os delegados são quase todos escolhidos por antecipação, graças a significativa constatação de que a maioria de tais conferências é composta por funcionários públicos e sindicalistas os únicos a terem tempo, condições e conhecimentos de saber o que acontece e como se desenrola os mecanismos políticos de todas essas conferências. Agora qual o resultado prático delas? O que se recebe de retorno do que se diz ou deixa de dizer? Sinceramente tenho visto que tais conferências produzem ótimas festas, alguns poucos bons discursos, uma ou outra palestra de qualidade e muitas cartas sobre o tema proposto, porém, só se descobre que serviram para subsidiar as políticas públicas na próxima conferência quando lembram que alguém disse alguma coisa a respeito de algo, todavia, como se fala de tudo, é impossível que alguma coisa deixe de ser tocada. Não sou contra as conferências. Considero que são ótimas formulas de turismo governamental, porém, como já disseram que se trata da confusão de um homem multiplicada pelo número de presentes, só gostaria que, quem as organiza, não gaste muito tempo lendo o regulamento e que seja prático na organização. Para muitas pessoas as conferências, principalmente, quando sabem que não viajarão por conta do governo, são uma forma muito enfadonha de perder tempo.
Fonte: Sílvio Persivo - [email protected]
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