Porto Velho (RO) sexta-feira, 19 de junho de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Cultura

Cinema brasileiro sofre com falta de distribuição


Mariana Tokarnia

Agência Brasil, Olinda (PE) – Produzir um filme hoje no Brasil é difícil, fazer com que ele chegue às salas de cinema, à programação das TVs, é quase impossível até mesmo para os melhores filme do Brasil, o diretor de cinema Cláudio Assis fala com propriedade. Seus longa-metragens: Amarelo Manga (2002), Baixio das Bestas (2006) e Febre do Rato (2011) foram todos premiados nos principais festivais de cinema do país e todos receberam o título de melhor filme por um ou mais júris. Em debate na 8ª Bienal de Arte e Cultura da União Nacional dos Estudantes, Assis compartilha as dificuldade em ser cineasta e discute o cenário com especialistas e estudantes.

“Trabalhamos, lutamos, fizemos o melhor filme [Febre do Rato], mas ele não está nas salas do país. Circulou inclusive pela Europa, mas chegou a poucos cinemas brasileiros. A produção audiovisual brasileira não pode ficar só nos festivais. Temos que ocupar as salas, temos que melhorar a distribuição”, diz Cláudio.

O cineasta foi rebatido pelo diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Manoel Rangel, também presente no debate. Ele afirmou que o cinema ainda tem muitas falhas, mas avançou muito ao longo dos últimos anos. Segundo ele, em 2003 o setor recebeu R$ 40 milhões do governo federal e R$ 100 milhões em leis de incentivo. Em 2012, houve um crescimento de mais de seis vezes, o investimento do governo passou para R$ 300 milhões e os incentivos mais que dobraram, alcançando R$ 250 milhões.

Os valores são destinados à produção audiovisual. A dificuldade maior está na hora de exibir as obras. São hoje 2,5 mil salas em todo o país, o que equivale a uma sala para cada 79 mil habitantes, de acordo com a Ancine. Rangel é otimista. “Em 2002, tínhamos uma sala para cada 95 mil habitantes. Uma pequena mudança, mas não podemos deixar de reconhecê-la”.

Além de não chegar aos espectadores, os filmes não seriam acessíveis. O cineasta amazonense Júnior Rodrigues faz parte do projeto Uayná Lágrimas, que viaja o país exibindo filmes com audiodescrição (para surdos) e videodescrição (para cegos e pessoas de baixa visão). “Hoje não existem nem dados de quantos filmes acessíveis são produzidos, nem de quantos são exibidos. Viajamos a capitais e encontramos pessoas com deficiência que nunca tiveram acesso ao cinema”.

Cabe à Ancine a fiscalização de empresas produtoras, programadoras, distribuidoras e exibidoras, bem como aquelas que comercializam produtos e conteúdos audiovisuais. Rangel reconheceu que há falhas. “Existem brasileiros que nunca entraram numa sala de cinema”.

A 8ª Bienal de Arte e Cultura da UNE é considerada o maior evento estudantil da América Latina. As atividades vão até o este sábado (26) e incluem mostras de teatro, música e cinema, seminários de esportes, além de apresentações de trabalhos acadêmicos e de extensão. O tema desta edição é A Volta da Asa Branca, uma Homenagem ao Sanfoneiro Luiz Gonzaga, cujo centenário foi comemorado em 2012. As atividades são gratuitas e abertas à comunidade. A programação completa pode ser consultada no site da bienal
 

Gente de OpiniãoSexta-feira, 19 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

 Inscrições para filmes da 19ª Edição do CINEAMAZÔNIA até dia 20

Inscrições para filmes da 19ª Edição do CINEAMAZÔNIA até dia 20

Estão abertas, até no próximo sábado, dia 20 de junho de 2026, as inscrições para produções audiovisuais de categorias de curta - até 26 min e media

CCBB Brasília recebe oficina de produção gratuita com foco em exposições de artes visuais

CCBB Brasília recebe oficina de produção gratuita com foco em exposições de artes visuais

Nos dias 19 e 20 de junho, o CCBB Brasília será palco de uma oficina de produção executiva em exposições de artes visuais. Com foco no público femin

A responsabilidade de dar vida aos personagens da Jucadiro

A responsabilidade de dar vida aos personagens da Jucadiro

Quando o público vê os noivos, o rei ou a rainha entrando na arena, poucos imaginam a preparação que existe por trás de cada passo, gesto e expressão.

Matutos do Socialista vive a contagem regressiva para o Arraiá do Bera

Matutos do Socialista vive a contagem regressiva para o Arraiá do Bera

O despertador toca cedo, mas, para quem vive o universo junino, muitas vezes nem é preciso acordar. O sono quase não aparece quando chega o dia mais e

Gente de Opinião Sexta-feira, 19 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)