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Cultura

Destino da Pele e Beira: exibição de curtas propõe reflexão sobre racismo, espiritualidade e diversidade

Na semana do Dia da Mulher, sessões dos filmes em dois espaços de Porto Velho utilizam o audiovisual como ponto de partida para discutir racismo, intolerância religiosa, misoginia e diversidade.


Destino da Pele e Beira: exibição de curtas propõe reflexão sobre racismo, espiritualidade e diversidade - Gente de Opinião

O primeiro cenário é a cidade fronteiriça de Guajará-Mirim, território marcado pelo encontro de culturas, pela força da fé e por histórias que atravessam gerações. O segundo acompanha a trajetória de Eva, personagem que retorna a Porto Velho para resgatar a casa da avó falecida, uma benzedeira e parteira respeitada pela comunidade.

Esses universos dão forma aos curtas Destino da Pele e Beira, obras que, no mês dedicado às mulheres, propõem um olhar sensível sobre questões urgentes da sociedade. Racismo, intolerância religiosa, misoginia e homofobia estão entre os temas que atravessam as narrativas e que serão debatidos nas sessões, tendo o cinema como ponto de encontro para reflexão e diálogo.

As exibições acontecem na sexta-feira, 13 de março, em Porto Velho, em dois espaços distintos. A primeira sessão será às 9h, no auditório do Ministério Público do Trabalho em Rondônia e Acre, localizado na Avenida Presidente Dutra, nº 4055, bairro Olaria, com presença do elenco, apresentação dos filmes pelo projeto Cine MPT, roda de conversa com a equipe das produções e distribuição de pipoca ao público. A segunda sessão ocorrerá a partir das 19h, no Templo Espiritualista de Umbanda Nosso Lar, na Rua Neuza, nº 6583, bairro Igarapé.

Para a diretora dos filmes, Marcela Bonfim, as histórias retratadas nas telas nascem das vivências que atravessam o cotidiano social. Segundo ela, o cinema também pode se tornar um caminho de compreensão e transformação dessas experiências. “O cinema é um mecanismo de apresentar a realidade que vivenciamos e também de provocar reflexão sobre como podemos ressignificar essas experiências”, destaca.

Destino da Pele

Interpretado por Agrael de Jesus e Haroldo Saraiva, Destino da Pele acompanha a trajetória de Tereza, mulher negra retinta e benzedeira que vive em Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia. Reconhecida na comunidade por seu trabalho espiritual, ela dedica sua rotina a atender pessoas que buscam cura, proteção e orientação.

Durante um desses atendimentos, Tereza reencontra um antigo colega de infância que, no passado, praticava racismo contra ela. O encontro desperta memórias dolorosas e evidencia as marcas deixadas pelo preconceito, mas também abre espaço para um processo de reflexão e ressignificação. Ao trazer para a tela esse percurso entre dor e reconstrução, o filme constrói um relato sensível sobre memória, identidade e resistência de mulheres negras na Amazônia.

Beira

O curta Beira acompanha o retorno de Eva a Porto Velho após a morte da avó, uma antiga parteira e benzedeira respeitada na comunidade. Ao tentar resgatar a casa e os objetos deixados pela matriarca, a personagem mergulha em lembranças e afetos que atravessam gerações, revisitando histórias ligadas à ancestralidade, à espiritualidade e às vivências negras e LGBTQIA+ nas margens da cidade. A narrativa transforma as “beiras”, físicas e simbólicas, em espaços de memória, identidade e resistência. O elenco reúne Keline Leigue da Silva, Rafaela Brito Correia, Regina Coely, Amanara Brandão dos Santos Lube e Agrael de Jesus.

A obra estreou na Mostra de Cinema de Tiradentes e também integrou a programação do Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, onde foi exibida na sessão “BRÉSIL 2”, dentro do Marché du Film Court, voltado à circulação internacional do audiovisual contemporâneo.

Marcela Bonfim ressalta que promover espaços de exibição e debate é fundamental para ampliar o diálogo sobre as realidades sociais que atravessam o crescimento urbano e as transformações vividas no estado de Rondônia. “Discutir temas como racismo, intolerância religiosa, violência de gênero e diversidade a partir do cinema ajuda a aproximar o público dessas questões e contribui para fortalecer uma consciência coletiva sobre os desafios e as possibilidades de transformação social presentes na região amazônica”, finaliza.

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