Sexta-feira, 5 de setembro de 2025 - 13h15

Um dos maiores clássicos da literatura brasileira, Dom Casmurro, de Machado de Assis, ganha
uma releitura contemporânea e sensível no espetáculo “Eu Capitu”, que chega
pela primeira vez a Porto Velho, nos dias 17 e 18 de setembro, no Teatro
Guaporé. Com texto de Carla Faour e direção de Miwa Yanagizawa, a montagem convida
o público a refletir sobre violência de gênero, machismo e silenciamento
feminino, temas cada vez mais urgentes no Brasil atual.
Em Porto Velho, as apresentações serão gratuitas. No
dia 17/09 (quarta), às 19h, o público terá acesso a uma sessão especial seguida
de roda de conversa com a equipe; no dia 18/09 (quinta), às 19h, haverá sessão
acessível com audiodescrição e Libras. O espetáculo tem classificação
indicativa de 14 anos e duração de 90 minutos.
A relevância social do espetáculo é reforçada pelos
dados de Rondônia, na qual o estado registrou mais de 6,9 mil ocorrências de
violência doméstica, entre janeiro e julho de 2025, incluindo ameaças e lesões
corporais, além de 29 crimes letais contra mulheres, entre eles 17
feminicídios. Esses números evidenciam a gravidade do problema e mostram que,
embora a violência seja uma realidade concreta, o debate sobre o tema ainda
precisa ser ampliado.
Eu Capitu aborda de forma lúdica e reflexiva a realidade
expressa em números e violência, com a finalidade de sensibilizar o público e
promover discussões sobre prevenção, conscientização e empoderamento das
vítimas. Ao levar para o palco histórias e realidades da violência doméstica, a
peça cria um espaço seguro para diálogo, despertando empatia e mobilizando o público
a refletir sobre a importância da denúncia, do apoio às vítimas e da construção
de uma cultura de respeito e igualdade.
“No palco, as atrizes encenam uma história que se
passa no Brasil de hoje, quando Ana, adolescente presa em um ambiente de tensão
doméstica, presencia o fim de um relacionamento abusivo de sua mãe. Para nós
interessa instigar o olhar da plateia, convidá-la a imaginar outras
possibilidades narrativas, tomar consciência das coisas se valendo de mais de
uma perspectiva. Portanto, juntas, levantamos questionamentos e nos apropriamos
deles para desdobrá-los ao invés de buscar soluções definitivas.”, ressalta a
diretora Miwa Yanagizawa.
Inspirada no universo do romance machadiano, a peça
retrata a história de Ana (interpretada por Mika Makino), que desde pequena se
isola em um mundo imaginário como forma de fugir dos problemas que enfrenta em
casa. Sua mãe, Leninha, vive um relacionamento abusivo com o marido, um homem
ciumento, possessivo e inseguro (Leninha/Capitu interpretada por Juliana
Trimer).
A tensão doméstica acaba por refletir no rendimento
escolar da menina, que precisa tirar boas notas em Literatura para não repetir
o ano. A prova final será baseada na obra Dom
Casmurro, de Machado de Assis. No entanto, a leitura afeta diretamente Ana,
que passa a enxergar pontos em comum entre o livro e sua própria vida.
Em seu refúgio fantástico, Ana começa a misturar
ficção com realidade e recebe a visita de uma mulher misteriosa, que tem o
rosto parecido ao de sua mãe. Aos poucos, descobrimos que esta mulher é Capitu.
Nesses encontros, Ana dá voz àquela mulher que só conhecemos através do olhar
masculino.
A Capitu imaginária fala sobre si e sobre Leninha, a
mãe de Ana, e ajuda a menina a compreender as atitudes, escolhas, medos e os desejos
de mulheres que sofrem com ciúmes, desconfiança e abusos presentes em
relacionamentos tóxicos. Além disso, a improvável ligação entre elas serve à
menina, que está entrando na adolescência, como um rito de passagem para o
universo feminino adulto, em que ela começa a entender o que significa ser
mulher num mundo narrado por homens.
A proposta da autora, Carla Faour, é promover um olhar
sensível sobre prevenção, conscientização e empoderamento, levando ao palco
histórias e realidades da violência doméstica, criando um espaço seguro para
diálogo, despertando empatia e construindo uma cultura de respeito e igualdade.
“Se o assunto é muito duro e pesado, preferimos falar de forma lúdica, criando
um universo simbólico e poético, mas sem perder a urgência do debate sobre
violência contra a mulher”, destaca.
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