Segunda-feira, 1 de junho de 2026 - 17h30

Entre memórias, territórios e identidades que atravessam a
Amazônia, a presença negra ganha voz, imagem e protagonismo no lançamento do
livro “Amazônia Negra: as imagens da cor do (in)visível”, estreia literária da
fotógrafa, pesquisadora e artista visual Marcela Bonfim. O lançamento acontece
no dia 4 de junho, durante A Feira do Livro, no Espaço Motiva Tablado
Literário, na Praça Charles Miller, em São Paulo (SP).
Lançada pela editora Igrá Kniga, a obra propõe uma reflexão
sobre a presença e a invisibilização de pessoas negras na região amazônica,
discutindo identidade, território e os efeitos históricos da racialização no
Brasil. Construída a partir das vivências da autora em Rondônia e de sua
trajetória artística na região, a publicação aborda pertencimento,
reconhecimento e narrativas historicamente invisibilizadas na floresta.
Primeira obra literária de Marcela Bonfim, o livro parte de
sua experiência em Porto Velho, em 2010, quando passou a registrar comunidades
negras, quilombolas, indígenas e de origem caribenha em Rondônia. A vivência
impulsionou um processo de reconhecimento identitário e deu origem a uma
investigação sobre os espaços ocupados por pessoas negras na Amazônia.
“Esse livro nasce do encontro com pessoas, histórias e memórias que transformaram minha maneira de enxergar a Amazônia. Rondônia teve um papel fundamental nesse processo, porque foi ali que compreendi a potência das narrativas negras presentes na floresta e a importância de torná-las visíveis”, destaca Marcela Bonfim.

O livro também dialoga com o projeto “(Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências na floresta”, plataforma multiartística que reúne fotografia, audiovisual, música e memória para evidenciar as diferentes presenças negras na Amazônia e suas contribuições culturais, sociais e históricas.
A obra também reflete sobre a construção histórica da racialização no Brasil e sobre como a cor da pele foi associada, ao longo do tempo, a processos de desumanização e exclusão social. “Sendo a imagem da cor pano de fundo das relações de privilégio ainda vigentes no Brasil, a cor escura foi historicamente condicionada como elemento de inferiorização e exploração”, analisa Marcela Bonfim.
O lançamento contará com participação especial de Dayane Ribeiro, performer, educadora, produtora cultural e pesquisadora com atuação voltada às pesquisas afrodiaspóricas em contextos artísticos e comunitários, além de mediação do jornalista e mediador cultural Bruno Xavier, que atua em debates sobre literatura, memória, identidade e territórios amazônicos em eventos literários nacionais. Após o bate-papo, haverá sessão de autógrafos com a autora.
A publicação foi fomentada pela Funarte, por meio do Programa Funarte Retomada 2023 – Artes Visuais.
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