Terça-feira, 25 de agosto de 2020 - 14h24

Não há mais o que discutir em
relação ao debate, que já foi atual, sobre o isolamento social na pandemia do
novo coronavírus. Antes até havia quem fosse contra a ideia de que o contato
social deveria ser restrito aos grupos de risco, qual seja, pessoas com mais de
60 anos de idade ou que sejam portadoras de doenças crônicas, mas, esta
discussão virou pó. O “Fique em Casa” parece, cada vez mais, alheado da realidade
quando, o que se vê, que o próprio povo,
cansado de meses em casa, decretou o fim do confinamento. Não tem decreto
nenhum mais que dê jeito. Nada, nem ninguém, vai mais fazer o povo ficar em
casa. Não se trata apenas dos impactos econômicos do isolamento, que, para
muitos especialistas, são maiores do que os seus benefícios em termos de saúde
pública, como também os efeitos de saúde, em especial, mental. Agora o
horizonte nos aponta a necessidade de pensar no futuro, ou seja, no “retorno à
normalidade” ou uma nova normalidade, como querem muitos, o “novo normal”. É
interessante notar que, alguns estudiosos, fazem uma analogia com o fim do
século 19, que, dizem, terminou mesmo foi com as mortes da Primeira Grande
Guerra e os efeitos de sua capacidade
destrutiva. Algo similar estaria acontecendo, agora, com o final do século 20,
o século marcado pela tecnologia, se encerrando com um acontecimento que
desafia os seus limites. De qualquer forma, chegamos a um ponto em que até
mesmo, quando as pessoas estão voltando a frequentar espaços públicos, não se
tem o fim das restrições. De fato, as empresas devem não somente pensar, como investir
em estratégias para engajar os consumidores, criando locais que tragam a
sensação de estar em casa, de se estar num lugar seguro. Ainda se observa que,
mesmo onde não existem restrições legais, os bares, restaurantes, cafeterias, academias
e coworkings se preocupam em redesenhar os seus espaços para reduzir a
aglomeração, demonstrar preocupação com a higienização e proporcionar o acesso
a produtos de higiene, como álcool em gel. Os espaços de convivência têm um
grande desafio neste novo cenário. Porém, ao que parece, a pandemia acelerou as
mudanças em curso, como o trabalho remoto, a educação à distância, a
preocupação com a sustentabilidade e uma cobrança maior, por parte da
sociedade, de responsabilidade social das empresas. Embora, na prática, não
exista, como muitos desejam fazer crer, um questionamento mais profundo do
modelo de sociedade capitalista. Não existe, como muitos pregam, embora isto
possa ser verdade para uma minoria, uma sociedade baseado no consumismo e no
lucro a qualquer custo. Há no meio empresarial, e as ações adotadas pela grande
maioria dos empresários na crise provam isto, uma visão de que a própria
existência de seus negócios está intimamente ligada à economia de sua cidade e
ao bem estar e à renda de sua população. É evidente que, como empresários,
temos que pensar no que será a vida pós pandemia. Com certeza, depois do vírus,
a vida será diferente. Este período de extrema dificuldade nos obriga a pensar
no futuro, a mudar comportamentos, a buscar novas formas de fazer negócios.
Porém, até para mudar se passa pela economia, se passa pela necessidade de
recursos e de investimentos, o que nos leva a crer que as transformações não se
farão tão rapidamente quanto se pensa na medida em que, para nos recuperarmos
dos efeitos desta pandemia, levaremos, no mínimo, dois anos. As mudanças são
sim, inevitáveis, mas, não tão rápidas, exceto para uma minoria que teve menos
problemas com a crise.
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