Segunda-feira, 27 de abril de 2026 - 13h45

Mesmo diante de incertezas econômicas, efeito do
torneio já se reflete na abertura de vagas, sobretudo em logística e varejo,
com projeções positivas até o início da competição
À medida que a Copa do Mundo de 2026 se aproxima,
seus reflexos já começam a se espalhar pela economia brasileira, especialmente
no consumo e no mercado de trabalho. Apesar de um cenário ainda marcado por
incertezas macroeconômicas, o evento tem estimulado a criação de vagas
temporárias, com destaque para os setores de logística e varejo.
Levantamento da consultoria Mendes Talent revela
que, desde o início de 2026, foram registradas 1.485 vagas na área de logística
relacionadas diretamente às operações ligadas ao torneio. Somente na semana
atual, 404 novas posições foram abertas. A expectativa é de que entre 2.800 e
4.000 novas oportunidades surjam até o início da Copa, concentradas
principalmente em atividades operacionais.
A tendência está alinhada com projeções da
Associação Brasileira de Trabalho Temporário (ASSERTTEM), que aponta
estabilidade nas contratações temporárias no segundo trimestre de 2026. A
estimativa é de cerca de 600 mil contratos firmados entre abril, maio e junho,
número semelhante ao registrado no mesmo período de 2025. Deste total,
aproximadamente um terço deve estar associado ao chamado “efeito Copa”,
especialmente em cadeias como eletroeletrônicos, bebidas e eventos. Além do
impacto do torneio, datas sazonais importantes para o comércio, como o Dia das
Mães e o Dia dos Namorados, também contribuem para o aumento da demanda por
trabalhadores temporários, sobretudo nos segmentos de e-commerce, logística,
vestuário e calçados.
No cenário estadual, a Federação do Comércio de
Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO) estima que cerca
de 4.800 postos de trabalho temporário serão preenchidos até a realização da
Copa. Para o presidente da entidade, Raniery Araújo Coêlho, o impacto vai além
da geração imediata de emprego. “É muito importante não apenas pelo trabalho
temporário ser uma forma de inclusão social, pois proporciona renda para muitos
trabalhadores, além de contribuir para sua qualificação e inserção no mercado”,
afirma.
Ele também destaca que cerca de 22% dos trabalhadores
temporários acabam sendo efetivados, o que reforça a relevância desta
modalidade para o mercado de trabalho. Ainda assim, o departamento econômico da
Fecomércio/RO ressalta que o ambiente de negócios permanece cauteloso,
influenciado por fatores como conflitos geopolíticos, oscilações nos preços dos
combustíveis, variações cambiais e a manutenção de taxas de juros elevadas. De
acordo com sondagem da entidade, a distribuição das contratações entre abril e
junho deve seguir a seguinte proporção: Serviços (40%), Indústria (30%),
Comércio (25%) e outros setores (5%), evidenciando o protagonismo do setor de
serviços na absorção da mão de obra temporária neste período.
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