Sexta-feira, 5 de junho de 2026 - 07h50

Uma ampla pesquisa de
opinião empresarial realizada no estado de Rondônia revelou que a maior parte
do setor produtivo local rejeita firmemente a proposta de proibição da escala
de trabalho 6×1. O levantamento, coordenado em conjunto pelo Sindicato da Micro
e Pequena Indústria (SIMPI-RO), Federação das Associações Comerciais e
Empresariais de Rondônia (Facer), Federação do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (Fecomércio-RO), Banco do Povo e entidades parceiras, aponta que as
mudanças propostas geram fortes preocupações sobre o futuro econômico das
empresas locais.
Os dados coletados
apontam um cenário de resistência: quase 44% dos entrevistados declararam
discordar totalmente da extinção da jornada de seis dias de trabalho por um de
descanso. O número reflete o tamanho do receio dos representantes do setor produtivo
quanto ao impacto operacional no dia a dia dos negócios, especialmente no
comércio e no setor de serviços, que dependem fortemente de flexibilidade de
horários.
Segundo o Presidente
do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac/Instituto Fecomércio e Vice-Presidente da CNC,
Raniery Araújo Coêlho, os números da pesquisa apenas confirmam o receio dos
empresários de quando a lei foi proposta, e ressalta que a lei precisa ser
amadurecida. “Reafirmo aqui o que o Presidente da CNC, José Tadros, e da sua
equipe econômica têm manifestado: o Sistema não é contra a Lei, mas é a favor
do diálogo e que seja respeitada a peculiaridade de cada segmento“, comentou.
OUTROS NÚMEROS
A pesquisa trouxe
ainda outros números que demonstram a insatisfação do setor produtivo rondoniense:
mais de 45% dos gestores afirmaram que o fim da escala 6×1 trará impactos
profundamente negativos para as suas empresas. Os empresários alertam que o
tema não pode ser abordado de maneira simplificada pelo debate público ou
legislativo, uma vez que envolve variáveis complexas de sobrevivência
empresarial.
Entre os principais
pontos de atenção levantados pelas lideranças estão o aumento imediato de
custos operacionais e a necessidade de uma reorganização completa das escalas
de atendimento. Sem o devido planejamento e flexibilidade, o setor aponta que
as mudanças podem se traduzir em aumento no preço final dos produtos e serviços
repassados aos consumidores, além de colocar em risco a própria rotina de
atendimento e a manutenção dos postos de trabalho atuais.
Contraponto aos dados nacionais
Os resultados locais
dão sustentação ao movimento de contestação liderado pelo SIMPI de Rondônia,
que confirmou que outros estados, como São Paulo e Espírito Santo, também têm
monitorado tendências semelhantes de rejeição empresarial. Diante disso, as
lideranças rondonienses confirmaram o encaminhamento de um pedido formal de
esclarecimentos ao Sebrae Nacional para entender os critérios metodológicos
adotados na pesquisa federal.
DADOS DA PESQUISA
A empresa contratada
realizou a pesquisa em Rondônia entre os dias 18 e 28 de maio de 2026. Ao todo,
foram efetuadas cerca de 10 mil ligações telefônicas e enviadas aproximadamente
40 mil mensagens via aplicativo WhatsApp, culminando na realização de 800
entrevistas validadas.
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