Terça-feira, 28 de abril de 2026 - 14h49

Durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, transmitido
pelo rádio e internet nesta terça-feira, 28 de abril, o ministro do
Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira,
afirmou que o projeto de redução da escala 6x1 não traz nenhuma
incompatibilidade com o empreendedorismo. Segundo ele, a jornada menor de
trabalho, sem redução de salário, permitirá que as pessoas tenham mais tempo de
lazer, o que também acabaria fomentando o empreendedorismo local.
A ideia é que os trabalhadores tenham mais tempo. Eles, ao invés
de ficarem presos a uma jornada de 44 horas e 6 dias por semana, podem ter uma
jornada um pouco menor que permita levar o filho ao médico, fazer um curso
novo, cuidar de um familiar, poder descansar mais e até poder empreender mais.
Eu estou convencido de que se a escala 6x1 for aprovada, nós vamos aumentar o
empreendedorismo no Brasil”
- Paulo Pereira
Ministro do
Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte
“A ideia é que os trabalhadores tenham mais tempo. Eles, ao invés de ficarem
presos a uma jornada de 44 horas e 6 dias por semana, podem ter uma jornada um
pouco menor que permita levar o filho ao médico, fazer um curso novo, cuidar de
um familiar, poder descansar mais e até poder empreender mais. Eu estou
convencido de que se a escala 6x1 for aprovada, nós vamos aumentar o
empreendedorismo no Brasil”, destacou Paulo Pereira.
O ministro ainda citou dados que apontam a redução da escala 6x1
como favorável ao ambiente empresarial. De acordo com a 12ª edição da Pesquisa
Pulso dos Pequenos Negócios, do Sebrae, 51% dos donos de micro e pequenas
empresas avaliam que a mudança não trará impacto sobre seus negócios, enquanto
a percepção negativa sobre a medida caiu para 27% neste ano.
“A escala 6x1 pega a base da pirâmide. Então, aqui nós estamos
falando das trabalhadoras e dos trabalhadores que têm menor renda, que moram
mais longe, dedicam mais tempo da vida deles ao trabalho, têm mais dificuldade
na construção dessa rotina”, ressaltou o ministro. “São os valores do
empreendedorismo permitir que a pessoa tenha a condição de evoluir, de mudar de
profissão, de se equipar e poder progredir, poder ter sucesso na vida”,
completou.
Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas)
indica que as jornadas de trabalho mais longas, de 44 horas semanais, se
concentram entre trabalhadores de menor renda e escolaridade. O levantamento
mostra que a redução para 40 horas elevaria o custo médio do trabalho em apenas
7,84%. Essa transição é vista como uma medida concreta de justiça social, com
potencial para aumentar a produtividade, reduzir afastamentos por saúde e
dinamizar o consumo no comércio local.
EMPREENDEDORES EMPREGADORES — Sobre
o impacto que a redução da jornada de trabalho pode trazer para os
empreendedores que empregam outros profissionais, o ministro pontuou que essa
parcela representa apenas 10% a 15% dos empreendedores brasileiros. Para que
eles não sofram grandes impactos com a mudança, o Governo do Brasil irá criar
políticas que também apoiem essa parcela da população.
“Vamos criar uma regra que seja boa para todo mundo. Para o
empreendedorismo, que vai permitir que as pessoas empreendem mais, consumam
mais, trabalhem mais fora desse vínculo. Mas o governo não vai deixar ninguém
para trás, vamos cuidar daqueles que possam sofrer impacto e criar uma solução
específica para eles. Pode ser um benefício fiscal, pode ser algum apoio, mais
crédito”, disse.
MEI — Outro assunto em destaque foi o
Microempreendedor Individual, ou MEI, que atualmente possui o limite de
faturamento anual em R$ 81 mil. Segundo Paulo Pereira, a ampliação do teto traz
um custo alto para o governo e é necessário pensar em uma solução que não
comprometa a saúde fiscal brasileira. “A ordem do presidente Lula é a de olhar
para o MEI e pensar em como a gente constrói uma solução que atenda esse
público sem fragilizar as contas, gerar inflação, aumentar juros e assim por
diante”, explicou.
TRABALHADORES INFORMAIS — O ministro do
Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte ainda comentou
sobre a quantidade de empreendedores informais ainda presentes no Brasil. Ele
lembrou da importância de estar formalizado, principalmente por questões
previdenciárias: “Hoje, a gente tem um ambiente que permite que o empreendedor
possa pagar um tributo baixo, que não vai ser decisivo na sua renda, sem
burocracia”.
MENOS BUROCRACIA — Uma dessas iniciativas é o
Contrata+Brasil, plataforma digital do Governo do Brasil criada para facilitar
o acesso de pequenos empreendedores às compras públicas de forma mais rápida,
gratuita e padronizada. A plataforma já reúne 1.694 órgãos públicos, mais de 10
mil empresas cadastradas e 1.482 agricultores familiares. Até o momento, já
soma mais de R$ 20,6 milhões em contratações aprovadas, simplificando a
burocracia e utilizando o poder de compra do Estado para gerar renda nos
municípios.
“O Contrata+Brasil envolve muito o empoderamento dos nossos
artesãos, por exemplo. A ideia é que um artesão lá do interior do Ceará possa
vender para um consumidor em São Paulo, na Bahia, no Distrito Federal, a partir
de uma grande rede de negócios que o governo vai fornecer”, pontuou Paulo
Pereira.
MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA — O ministro também
citou o Acordo Mercosul-União Europeia como um processo que permite mais
crédito e redução da burocracia para a exportação dos produtos de pequenas
empresas. Após décadas de negociações, o acordo entre os dois blocos entra em
vigor no dia 1° de maio, criando uma das maiores zonas de livre comércio do
mundo.
“Temos que usar o avanço do acordo para que a gente consiga licenciar
o nosso artesanato, licenciar nossos produtos brasileiros. Os europeus adoram
comer tapioca e adoram açaí. Então, a gente tem que fazer um esforço para
permitir que esses pequenos produtores possam exportar mais”, destacou.
QUEM PARTICIPOU — O “Bom Dia, Ministro” é uma
coprodução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
(Secom/PR) e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Participaram do programa
desta terça-feira a Rádio CBN, de Caruaru (PE); o Portal O Tempo, de Belo Horizonte
(MG); a Rádio TMC, de Brasília (DF); o Portal RIC, de Curitiba (PR); o Portal
Farol da Bahia, de Salvador (BA); o Jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro
(RJ); o Jornal O Goiás, de Goiânia (GO); e a Rádio Litoral, de Santos (SP).
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