Terça-feira, 18 de abril de 2017 - 08h20

247 - Maior programa de internacionalização da ciência do Brasil, o Ciência sem Fronteiras foi extinto pelo governo de Michel Temer.
Além de internacionalizar a pesquisa feita no país, era uma oportunidade de estudo no exterior para estudantes brasileiros, independentemente da classe social.
Para tentar reverter o fim do programa, a Abep-UK é uma associação de estudantes e pesquisadores, sem fim lucrativos, que atua no Reino Unido há 37 anos, criou uma petição online para pressionar uma revisão da decisão.
“Um país sem Ciência e Tecnologia está fadado a ser recolonizado”, disse uma vez o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro. Nós diríamos que um país colonizado está fadado a não ter Ciência e Tecnologia", diz o diretor da entidade, Valdir Ermida.
Confira abaixo a íntegra do manifesto:
O recente anúncio da extinção do programa Ciência sem Fronteiras para alunos de Graduação soma-se à série de notícias preocupantes que emergem do atual cenário brasileiro. Investimentos em Saúde e Educação, vistos pelos gerentes do poder como meros “gastos”, estão congelados por 20 anos. Apenas a reposição da inflação é insuficiente para a manutenção destes, uma vez que a dinâmica de tais setores-chave da economia requer investimentos crescentes, do poder público, que atendam a demandas que não necessariamente surjam de acordo com a inflação, a exemplo do vírus do Zika e outras epidemias.
Como estudantes e pesquisadores brasileiros no exterior, observa-se que é evidente a nossa defasagem numérica em relação aos estudantes provenientes dos demais países. Juntamente aos outros acadêmicos latino-americanos, somos, de longe, os menos representados nas universidades britânicas, ao contrário de estudantes asiáticos e árabes, dentre outros.
Com o programa Ciência sem Fronteiras, pela primeira vez em sua história, o Brasil pôs em movimento um ambicioso projeto que, se ainda não nos equipara em números a outras nações, colocou o país no mapa da Ciência e Tecnologia mundial, ressaltando-se que 20% de seus estudantes de Graduação retornam para a pós-graduação no exterior, contra 5% dos demais estudantes Brasileiros, ou seja, o programa está dando resultados sim.
Trata-se, desta forma, de grande oportunidade não apenas para expandir a internacionalização da ciência brasileira, como também para aplicar o que se aprendeu no exterior em nosso país, gerando mais conhecimento e fortalecendo a nossa academia. É um investimento, porém, de médio para longo prazo; e por uma razão simples: o desenvolvimento de uma pesquisa de qualidade requer tempo e dedicação.
Em recente evento promovido por esta Associação, junto a representantes de universidades britânicas, estes foram unânimes em dizer que a língua Inglesa não é um problema para o bolsista brasileiro. Trata-se de algo que acomete qualquer estudante proveniente de uma nação de língua não-Inglesa. As próprias universidades possuem núcleos de apoio para aperfeiçoamento na língua, pois é comum que estudantes internacionais cheguem com nível de Inglês suficiente para se comunicarem bem, mas sem a fluência que os rígidos padrões acadêmicos exigem. Isto constitui, aliás, um dos principais objetivos do programa: a oportunidade do aperfeiçoamento da língua Inglesa, com foco acadêmico e profissional.
Entendemos, porém, que o cenário econômico atual é delicado e, em tempos de crise, uma redução na oferta de bolsas é compreensível. Entretanto, não podemos concordar com o cancelamento por completo de todo um ramo do programa. Se há problemas, estes não são os alunos. A completa extinção da modalidade Graduação, portanto, não é solução, mas sim abandono.
“Um país sem Ciência e Tecnologia está fadado a ser recolonizado”, disse uma vez o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro. Nós diríamos que um país colonizado está fadado a não ter Ciência e Tecnologia.
Esperamos e lutamos ativamente para que este não seja o nosso caso.
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