Sábado, 8 de agosto de 2015 - 06h11
Hoje e amanhã, 08 e 09 de agosto, os camponeses dos assentamentos Renato Nathan, Alzira, Zé Bentão e Maranatã (antiga fazenda Santa Elina em Corumbiara) realizam uma série de atividades para marcar a data dos 20 anos do massacre de Corumbiara ou a “heroica resistência camponesa”, como afirmam os assentados.
Em 1995 um confronto entre a PM e camponeses resultou na morte imediata de 9 sem-terra e 2 policiais militares. Contudo, há inúmeros relatos de mais mortos, já que muitas denúncias apontaram para a presença de pistoleiros entre os policiais militares e muitos sem-terra estão desaparecidos. À época, D. Geraldo Verdier, bispo de Guajará-Mirim enviou à França, ossos encontrados no acampamento incendiado que meses depois confirmou-se se tratar de ossos de seres humanos.
Desde 2008, com uma nova reocupação da fazenda, os camponeses organizados pelo Comitê das Vítimas de Santa Elina – CODEVISE e Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental – LCP, passaram a exigir o “corte imediado” da fazenda Santa Elina. Em 2010, nova ocupação dos camponeses, resultou na distribuição de lotes sem esperar pelo INCRA, que foi obrigado a reconhecer a posse. Atualmente existem cerca de 700 famílias assentadas e em processo de regularização do assentamento. Na atualidade, mesmo com uma decisão da Corte Interamericana da OEA (Organização dos Estados Americanos), o governo brasileiro não indenizou nenhuma vítima do conflito.
Entre a programação prevista para o dia 08 e 09 de agosto, está uma manifestação nas ruas de Corumbiara, seguida de homenagem aos mortos no conflito e posteriormente outras atividades celebrativas dos 05 anos da ocupação da área. “Nosso intuito é celebrar com o camponeses esse momento, considerando ser um marco na história da luta pela terra em Rondônia”, enfatizou Fábio Brizolla, estudante do IFRO/Vilhena.
PROJETOS DE EXTENSÃO CONTRIBUEM
PARA PERMANÊNCIA NA TERRA
Além da visita técnica, que faz parte da integração de atividades de Ensino e Extensão, os estudantes e professores poderão conhecer um pouco mais da realidade dos camponeses e vislumbrar outras possibilidades de pesquisa e atividades de campo para novas atividades futuras. O IFRO já está executando dois projetos de Extensão que incluem, entre outras demandas, o auxílio às comunidades no que se refere a demandas educacionais e de produção agrícola. “Nossa proposta é desenvolver o debate e busca de soluções, agindo conjuntamente, professores, estudante e camponeses”, afirmou o professor Márcio M. Martins, do IFRO/Vilhena, coordenador do Projeto de Extensão História, memória e resistência camponesa de Corumbiara. Também a professora Xênia de Castro Barbosa, através do projeto Terra, Trabalho e Memória pretende fomentar a memória dos conflitos agrários na Fazenda Santa Elina.
Os projetos de Extensão utilizarão o Trailer da Extensão do IFRO, para divulgação, sensibilização e mobilização da comunidade presente nas atividades posteriores. Durante os dois dias que estarão na comunidade professores, pesquisadores e estudantes estarão discutindo com a comunidade formas de organização e participação para solucionar os problemas existentes.
As atividades contam, também, com pesquisadores e estudantes da Universidade Federal de Rondônia – UNIR, de Porto Velho, Rolim de Moura e Vilhena, dos cursos de Pedagogia, História, Jornalismo, Ciências Sociais e Psicologia. Também delegações de representação de entidades de classe, documentaristas e cineastas, participarão das atividades.
Fonte: Márcio Marinho Martins
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