Quinta-feira, 6 de maio de 2010 - 05h13
Alana Gandra
Agência Brasil
Rio de Janeiro - Professores de educação física de todo o estado do Rio se reúnem hoje (6), a partir das 14h, em frente à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em ato público contra o Artigo 90 E da Lei Pelé, que cria a figura do monitor de esporte.
O coordenador do Movimento pela Valorização do Profissional de Educação Física, Sergio Tavares, disse que o objetivo é suprimir o artigo, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, “por pressão da bancada do futebol”, e irá ainda à votação no Senado.
O movimento é apoiado por entidades representativas da atividade, entre elas o Conselho Regional de Educação Física (Cref 1) e o Sindicato dos Profissionais de Educação Física (Sinpef), que consideram a lei inconstitucional.
Para Tavares, a criação do monitor de esporte tem caráter eleitoreiro, na medida em que irá beneficiar ex-atletas sem formação profissional, oriundos especialmente do futebol, “pelo simples fato de terem mantido contato com um esporte de rendimento”. Na sua opinião, o artigo tenta desqualificar a Lei 9696 de 1998, que criou a profissão de professor de educação física, com exigência de curso de graduação de nível superior.
A educação física praticada no Brasil é referência no mundo inteiro, lembrou Sergio Tavares. Ele acredita que a criação do monitor de esporte poderá significar o desemprego de milhares de profissionais em todo o país. Somente no estado do Rio, cerca de 30 mil professores de educação física estão credenciados pelo Cref 1 e há mais de 40 faculdades de educação física. No país, esse número ultrapassa 300 faculdades, de acordo com dados do conselho.
“Você imagina, de uma hora para outra, às vésperas do compromisso do segmento perante uma Olimpíada e uma Copa do Mundo, a gente se desqualificar indevidamente, quando deveria estar preocupado em qualificar ainda mais o nosso quadro. Querem transformar a Copa do Mundo em um espetáculo de pão e circo”, desabafou Tavares, acrescentando que o Artigo 90 E da Lei Pelé é inconstitucional e representa um retrocesso.
“Então, o que nós vamos fazer é lembrar isso aos políticos em audiência pública. É lembrar o custo político de não se posicionar devidamente, representando os interesses não só do Rio de Janeiro, mas de todo o país. A idéia é fazer uma corrente nacional contra esses oportunistas que não estão defendendo os interesses nem dos desportistas”, afirmou.
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