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Esporte

Zico critica CBF e diz que entidade nada faz pelo futebol brasileiro


 
Isabela Vieira
Agência Brasil

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não faz nada pelo esporte no país, disse no último dia 10, o ex-jogador Zico. O ídolo do Flamengo e da seleção brasileira criticou duramente a CBF por não apoiar os clubes na formação e manutenção de atletas no país, inclusive financeiramente. "A CBF só usufrui dos nomes dos jogadores, arrecada, tem não sei quantos patrocinadores, mas não faz nada para melhorar o futebol brasileiro", afirmou o jogador, no Rio de Janeiro. Procurada pela Agência Brasil, a CBF não comentou.

Para Zico, um dos maiores problemas do futebol brasileiro é a ausência de escolas de formação de atletas e condições para o país reter talentos, desafios que recaem sobre os clubes. Segundo ele, a CBF, além de não auxiliar os times nessas tarefas, tira proveito. “É muito fácil um clube sofrer, passar cinco anos preparando jogador e a CBF vai, pega, leva para seleção dela, é campeã da [categoria] sub-17 e sub-18, mas não deu uma ajuda sequer ao clube”, criticou.

Ex-jogador de três copas, Zico disse que jovens atletas devem ter o direito de buscar melhores condições de vida no exterior, mas, em defesa do esporte nacional, os clubes no Brasil devem ser fortalecidos pela entidade. “Ninguém pode impedir o direito do jovem, mas a CBF podia ajudar os clubes, fazer com que tivessem mais poder”, completou. Para ele, se criou um mito de que é preciso jogar em times europeus, “como se o futebol brasileiro não fosse importante”.

Para reverter o quadro, Zico defende que os próprios clubes, que escolhem a diretoria da CBF, opinem sobre o uso dos recursos da organização. “A politica atual não está sendo benéfica ao futebol brasileiro, mas aos clubes europeus. E a CBF senta na cadeira, muito cômoda. A hora que precisa, traz os jogadores, não paga nada. Lamento profundamente que os clubes estejam comprometidos com a eleição do presidente, mas não tenham o apoio que deveriam ter”.

Zico também criticou a ausência de cursos para comissão técnica; a escolha de jogadores de base por características físicas, em vez do talento; e a ausência de torcedores nos estádios. "O Brasil é tido como país do futebol, mas tem 7 mil, 8 mil pessoas [por jogo] nos estádios. A Alemanha tem 40 mil, 50 mil, 60 mil. Quer dizer, que país do futebol é esse?", questionou. “Os clube estão enfraquecidos, os melhores jogadores não estão aqui”, justificou, sobre o baixo comparecimento do público.

As declarações foram dadas em dia de decisão da Copa SOC14L, que promoveu um campeonato de futebol entre times de projetos sociais atendidos em comunidades cariocas.

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