Sábado, 21 de novembro de 2015 - 06h38
Vinte e dois de novembro é uma data que marca o início de um processo que denigre a História do Brasil e que, na sequência, colocou Rondônia no contexto nacional. Em 1910 marinheiros revoltados contra a forma desumana que eram tratados, inclusive com açoitamentos, nos navios da Marinha brasileira, se rebelaram iniciando o que passou a ser chamada de “Revolta da Chibata”.
Quatro dias depois foi votada uma anistia aos rebeldes e eles entraram na baía da Guanabara conduzindo os navios, mas quando se pensava que tudo estava terminado, eis que o presidente Hermes da Fonseca manda prender os anistiados no dia 28 de novembro.
Em dezembro o navio “Satélite” saía do porto do Rio de Janeiro com mais de duas centenas de marinheiros presos e cerca de 40 mulheres, e após execução, em alto mar, de alguns dos revoltosos, o “Satélite” aporta, em janeiro, em Santo Antonio do Rio Madeira, para deixar o resto da carga de presos, incluindo as mulheres e colocando os homens à disposição da Missão Rondon.
João Candido, mais tarde lembrado como o “Almirante Negro”, que liderou a revolta, não veio. Ficou muito tempo preso na Ilha das Cobras, mas seu lugar na História ficou marcado, como heroi, um nome que bem poderia ter sido dado para patrono do Dia da Consciência Negra.
E por quê? Pelo seu auto de fé, de liderança, de ter, a partir de sua ação, e de seus companheiros, gerado a mudança que acabou com uma violência perpetrada nos navios brasileiros. Se quem definiu o patrono da consciência negra no Brasil tivesse um pouco de consciência da importância dos fatos, certamente a data a ser comemorada deveria ser 22 de novembro.
Fonte: Lúcio Albuquerque
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