Quarta-feira, 10 de setembro de 2025 - 14h23

O sorriso firme de Eliane Guatel carrega uma história de coragem, fé e transformação. Mãe atípica de uma adolescente autista e esposa atípica, ela encontrou no empreendedorismo não apenas uma fonte de renda, mas uma forma de se reencontrar com a vida e vencer a depressão. Hoje, além de empreendedora, é estudante de Gestão Pública e Taquigrafia, coordenadora e cofundadora da Rede de Mães Atípicas de Rondônia, iniciativa que fortalece mulheres e cria oportunidades de geração de renda.
Eliane conta que a maternidade atípica a fez enxergar o mundo de uma nova forma. “Ela me trouxe muitas reflexões sobre a vida, sobre as dificuldades e as superações diárias. Me tornei uma mulher mais valente, que não abre mão dos seus direitos e que acredita no poder da esperança”.
DA DOR À SUPERAÇÃO
Em 2020, durante a pandemia, Eliane viveu um dos momentos mais delicados de sua vida. O isolamento, o medo de perder familiares e um assalto à mão armada em sua casa desencadearam uma depressão profunda. “Eu cheguei a pensar em tirar minha vida, e com isso também colocaria em risco a vida da minha filha. Mas naquele momento, senti que Deus me segurou e me deu uma nova chance. A depressão ainda é um tabu, mas precisamos falar sobre ela, porque o silêncio custa vidas”, relata emocionada.
Foi então que o empreendedorismo surgiu como um ponto de virada. Em 2021, com o apoio do marido, começou a vender camisetas e descobriu na atividade uma terapia. “Empreender me salvou. Foi a minha forma de resgatar a autoestima, de acreditar de novo em mim. Hoje posso dizer que empreender, para mim, é viver”, afirma.
A FORÇA DO EMPREENDEDORISMO
Para Eliane, as feiras realizadas em Porto Velho, como a Feira da Mulher do Norte – promovida pela Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres (CPPM/SGOV) da Prefeitura da capital, são fundamentais para dar visibilidade às mulheres empreendedoras. Muitas mães atípicas, explica ela, precisam abrir mão de carreiras formais para se dedicar integralmente aos filhos, encontrando no empreendedorismo uma forma de gerar renda e, ao mesmo tempo, de cuidar da própria saúde emocional.
“O empreendedorismo resgata a confiança, valoriza a mulher, dá propósito e esperança. É uma terapia coletiva, porque nessas feiras a gente se encontra, compartilha histórias e percebe que não está sozinha”, reforça.
Hoje, Eliane olha para trás com gratidão e emoção. Ela superou a depressão com acompanhamento terapêutico, medicação e, sobretudo, com a força que encontrou no empreendedorismo. “Meu maior aprendizado é que a gente consegue vencer. Quero dizer para outras pessoas que estão passando por momentos de tristeza ou depressão: vocês não estão sozinhos. É preciso coragem, fé e esperança. A vida vale a pena”.
No mês dedicado à prevenção do suicídio, a história de Eliane reforça a importância do diálogo e da atenção às questões emocionais. Para ela, iniciativas como o Setembro Amarelo salvam vidas: “É um mês maravilhoso de incentivo e alerta. Com nossas histórias de superação, podemos alcançar pessoas que acham que não vão conseguir sair da dor. Mas é possível, sim”.
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