Quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 - 09h58
Há muito a população brasileira clama por uma justiça mais rápida e eficiente, pois, desconfia que a mesma não é só cega. A justiça é cega, surda, muda e ‘zureta’ das idéias. Sem acreditar nas instituições públicas, o cidadão sedento por uma sociedade mais justa, se arvora em fazer a sua própria justiça, o que é um grande risco ao estado democrático de direito, para não dizer crime.
Foi o que quase aconteceu nas primeiras horas da tarde desta quarta-feira, 1º de janeiro de 2014, em Guajará-Mirim, quando centenas de populares se dirigiram para Delegacia de Polícia, ao tomarem conhecimento da prisão de Tanus dos Santos, de 23 anos, assassino cruel de Luciene Almeida Rodrigues, de 28 anos (sua namorada), mãe de Renato, uma criança de 5 anos, e do adolescente Elissandro, de 16 anos, todos mortos com tiros disparados em suas cabeças.
No calor do momento, sabendo que a prisão não garante bandido encarcerado, a população da Pérola do Mamoré apedrejou o prédio e tentou invadir a Delegacia de Polícia e virar viatura estacionada em frente, alem de saquearem o supermercado da família do assassino. Só recuaram quando policiais militares, civis e da força nacional impediram atirando com balas de borracha e esguichando gás de pimenta contra os populares revoltosos.
Sabemos que linchamento é vedado por lei, além de crime e que vivemos hoje em um estado democrático de direito; que o cidadão não tem o poder de se autotutelar. Porém, o que ocorre é uma total descrença nos poderes instituídos e, por este motivo, nossa gente ordeira, o cidadão de bem, chocado com a barbárie praticada por Tanus, tentou linchá-lo diante dos olhos de todos e da própria polícia.
Todos têm a liberdade de fazer o que bem entender, contudo, se não estamos respaldados pelas normas vigentes e ancorados na ética, já nos autocondenamos. Ao se fazer justiça com as próprias mãos, a população, o cidadão e a cidadã de bem passam a aderir à criminalidade como resposta à falta de segurança vivida por todos nós que moramos na pacata Guajará.
Queremos justiça, Exigimos mais segurança e paz. Queremos Tanus dos Santos fora do convívio social e, se possível, para sempre cerrado entre grades. O que aconteceu com Luciene e seus filhos também poderá acontecer com nossas famílias. Justiça já!
Fonte: Ariel Argobe
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