Terça-feira, 26 de fevereiro de 2013 - 05h11

Aluízio Vidal
É indescritível a arrogância que caracteriza os políticos detentores de cargos. A impressão que se passa é que o fato de serem eleitos lhes dá a condição de não prestar nenhum tipo de respeito à opinião da população.
Quando alguém como o senhor Renan Calheiros renuncia pela acusação de corrupção e tem coragem de se candidatar novamente já é algo que chama a atenção. Quando se elege e pleiteia ser presidente do Congresso passa a ser estarrecedor. E quando, de novo sob acusação de corrupção, é eleito, e toma posse falando de ética como um dever de todos nós, aí vira questão de escândalo nacional. Ele, por sua vez, faz de contas que nem sabe do que está acontecendo.
Quando os senadores de Rondônia votam a favor de alguém como Renan, não se manifestam publicamente e o fazem por conveniência partidária (gostaria que fosse apenas por isso), tratando com absoluta indiferença a opinião pública do Estado de Rondônia, dá a impressão que, de onde estão, não precisam realmente prestar contas de seu voto aos eleitores.
Quando jovens, como os do Dia do Basta, se manifestam contra esse absurdo, como o fizeram neste ultimo domingo, e não aparece um deputado nem vereador, para manifestar algum tipo de solidariedade com a causa, fica a impressão de que realmente o combate a tudo que cheira falta de vergonha e corrupção não diz respeito a quem já está eleito.
Quando pessoas acusadas pesadamente pelo Ministério Público e pela Policia Federal se candidatam a cargos legislativos, dá-se a impressão de que desejam se esconder por trás da imunidade parlamentar. E em alguns casos tem funcionado, demonstrando como fazem da população apenas um meio para seus esquemas pessoais.
Quando a arrogância de um político se torna patente, é preciso que a indignação da população também seja vista, pois, tornando conhecidas suas ações, mais gente se tornará capaz de fazer uma análise crítica e cobrar dele uma postura mais coerente com o que a população está pensando.
Em tempo: foi publicado na imprensa que, juntamente com D. Moacir Grecchi dei depoimento a respeito da inocência do ex prefeito de Porto Velho. Nunca dei depoimento a ninguém sobre esse tema. Não seria arrogante o suficiente para, como cidadão, ser insensível ao que diz a multidão.
*Aluízio Vidal, pastor presbiteriano, psicólogo, ex presidente regional do PSOL e ex candidato a prefeito pelo mesmo Partido.
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