Domingo, 24 de maio de 2015 - 06h44
Partiu bem longe de Rondônia, a ideia de discutir a privatização da hidrovia do rio Madeira, em Porto Velho e na região do Amazonas. O assunto foi tema de uma audiência pública acalorada promovida na última segunda-feira pela Assembleia Legislativa do Amazonas e a proposta de privatização do rio foi apresentada pelo diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit-AM), Evaiton de Oliveira.
Evailton de Oliveira, em determinado momento da audiência pública, afirmou que o rio Madeira está sendo aterrado pela sedimentação do próprio leito do rio devido à construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Porto Velho. Não se pode depositar toda a culpa nas usinas, uma obra do Governo Federal e que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O Madeira tem uma realidade totalmente diferente em relação aos demais rios da Amazônia.
Em 2013, o Dnit chegou a anunciar o processo licitatório para contratação de empresa para execução do serviço a dragagem no rio Madeira, de Porto Velho até Humaitá. A medida visava garantir com maior segurança o transporte de soja até o Porto de Itacoatiara. Ocorre que o projeto nunca saiu do papel e, conforme denunciou o Diário por inúmeras vezes, a empresa vencedora do processo licitatório tinha a pretensão de executar os trabalhos em período do chamado inverno amazônico. Ocorre que nesse período se torna impossível a execução dos serviços, o que acabou resultando no cancelamento do contrato com a empresa. Era torrar dinheiro.
Em período de estiagem, é comum encontrar pela frente barcaças encalhadas em bancos de areia formados no meio do leito do rio. O perigo maior é no período da noite, uma vez que não existe sinalização. Um prejuízo imenso para quem necessita da hidrovia do rio Madeira e precisa que o produto cheque até Itacoatiara. A privatização da dragagem do rio é possível. Hoje já se falar em privatizar a BR-364 e também a construção da ferrovia que vai ligar Rondônia ao Oceano Pacífico, conforme pacto assinado na última terça-feira entre Brasil e China.
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