Domingo, 17 de maio de 2026 - 08h19

Vivemos um tempo em que a informação cabe na palma da mão. Em poucos
segundos, qualquer cidadão acessa dados que antes exigiam horas de pesquisa:
histórico político, processos judiciais, votações no Congresso Nacional,
declarações públicas, patrimônio e alianças. Nunca foi tão fácil conhecer quem
pretende nos representar. E, justamente por isso, é preciso transformar tal
acesso em responsabilidade.
O Brasil se aproxima de mais um período eleitoral decisivo. No pleito de
outubro de 2026, vamos escolher presidente da República, governadores,
senadores, além de deputados estaduais e federais. O voto não é um gesto
isolado, mas, sim, um ato com consequências que se estendem por quatro anos na
vida dos brasileiros.
Aqui, reside necessária reflexão: o que deveria ser o mínimo obrigatório
— ética, integridade e respeito ao dinheiro público — passou a ser tratado como
diferencial. Num cenário marcado por escândalos e denúncias recorrentes,
pré-candidatos / candidatos com ficha limpa, trajetória coerente e compromisso
comprovado com o interesse público tornam-se exceção.
A boa notícia, reitero, é que o eleitor nunca esteve tão bem equipado
para fazer sua escolha de maneira consciente. Ferramentas digitais, portais de
transparência, tribunais eleitorais, veículos de Comunicação e redes sociais
permitem cruzar informações, verificar discursos e confrontar promessas de
campanha com a realidade.
Votar bem, portanto, exige mais do que simpatia e/ou identificação -
inclusive, ideológica, partidária. Requer critério. É preciso, afinal, avaliar
a coerência entre o que o pré-candidato / candidato diz e o que já fez. Em
suma, observar sua trajetória: como lidou com recursos públicos? Quais decisões
tomou quando estava no “poder”? Como se comportou em momentos de crise?
Respeita as leis? Tem compromisso com o que é correto? Está envolvido em
investigações graves?
A transparência, neste contexto, é instrumento essencial da qualidade
democrática. Mandatos transparentes tendem a ser mais responsáveis, eficientes
e alinhados ao interesse coletivo. Quando o gestor sabe que será acompanhado e
cobrado, a margem para abusos e desvios diminui.
Da mesma forma, o cuidado com o dinheiro do povo não pode ser tratado
como detalhe. Cada recurso mal utilizado representa oportunidade perdida: um
hospital que deixa de receber melhorias, uma escola sem os investimentos
necessários, o remédio que não chega no posto de saúde, uma obra que não sai do
papel, a enchente que não dá trégua nos períodos mais quentes. O impacto da má
gestão, por fim, não é abstrato — afeta vidas.
Logo, o voto precisa ser encarado com a seriedade que merece. Não é
sobre torcida, emoção passageira ou narrativas vazias. É sobre futuro - é
escolher quem vai administrar recursos, tomar decisões difíceis, falar a
verdade (mesmo nas horas mais difíceis) e representar milhões de brasileiros.
Se, hoje, temos mais acesso à informação, também temos o dever de
usá-la. Democracia não se fortalece apenas com o direito de votar. Se consolida
com qualidade da escolha. E isto depende de cidadãos atentos, mais críticos e
conscientes.
No fim, a pergunta que deve guiar o eleitor é simples, mas
indiscutivelmente poderosa: estou escolhendo alguém em quem posso confiar para
cuidar do que é de todos nós? Arrisco a dizer que a resposta pode definir não
apenas o resultado de uma eleição, mas o rumo de todo um País.
*Paulo Serra é especialista em Gestão Governamental e em Políticas
Públicas, pela Escola Paulista de Direito; e em Financiamento de
Infraestrutura, Regulação e Gestão de Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela
Universidade de Harvard (Estados Unidos); cursou Economia, na Universidade de
São Paulo (USP); é graduado em Direito, pela Faculdade de Direito de São
Bernardo do Campo-SP; professor universitário no curso de Direito, também é 1º
vice-presidente da Executiva Nacional do PSDB e presidente do Diretório
Estadual do PSDB de São Paulo; foi prefeito de Santo André-SP, de 2017 a 2024.
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