Segunda-feira, 10 de março de 2025 - 15h53

A
transição para uma economia circular é considerada um dos principais eixos para
enfrentarmos os desafios ambientais e sociais da atualidade. Esse modelo coloca
o setor de saneamento em posição de protagonismo, não apenas pela capacidade de
tratar e gerenciar adequadamente os resíduos gerados, mas também por
transformar esses resíduos em recursos valiosos para a sociedade.
A
economia circular propõe um modelo em que os resíduos deixam de ser vistos como
problemas e passam a ser reaproveitados como insumos para novos processos. No
saneamento, isso se reflete em ações como a recuperação de nutrientes do lodo e
o reaproveitamento de águas residuais para usos industriais, agrícolas e
urbanos. Iniciativas que colaboram para a redução da pressão sobre os recursos
naturais, e que geram ganhos econômicos e sociais.
Um
conceito ampliado que abrange soluções como o reuso de água e a implementação
de tecnologias de circuito fechado, que permitem a reciclagem contínua dos
recursos hídricos. Por meio de sistemas avançados, como membranas e
ultrafiltração, é possível tratar e reutilizar águas residuais, minimizando a
dependência de fontes externas e otimizando o uso da água.
Em
regiões costeiras ou áreas com pouca disponibilidade de água doce, por exemplo,
a dessalinização se destaca como uma solução imprescindível para viabilizar a
circularidade no uso da água. Com tecnologias de ponta, como a osmose reversa,
é possível converter água do mar em água potável e utilizável para fins
diversos. Uma alternativa que garante segurança hídrica para áreas severamente
afetadas pela escassez.
Os
benefícios da economia circular no saneamento vão além da preservação
ambiental. Ela também fomenta o desenvolvimento da economia local, com a
criação de empregos verdes, no estímulo à inovação tecnológica e reduz custos
para municípios e empresas. Ao valorizar cada recurso, promovemos e reforçamos
a conscientização sobre o uso responsável da água, um bem cada vez mais
escasso, e que é fundamental para a vida.
No
entanto, vale a ressalva, para que essa transformação aconteça em rápida e
maior escala, é indispensável fortalecer as parcerias público-privadas,
investir em tecnologias disruptivas e implementar políticas públicas que
incentivem a adoção de práticas sustentáveis no setor de saneamento.
Embora
estejamos apenas no início dessa jornada, as possibilidades são imensas. O
Brasil, um país com uma rica biodiversidade e recursos hídricos vastos, está em
uma posição privilegiada para liderar essa transição. Com o Marco Legal do
Saneamento, já surgem oportunidades de curto, médio e longo prazo para acelerar
o desenvolvimento sustentável nesse setor.
Cada
gota tratada, cada resíduo reutilizado, é um passo em direção a esse futuro
mais sustentável.
Por
isso, convido empresas, governos e a sociedade como um todo a unir esforços
para construirmos um modelo de saneamento que beneficie o meio ambiente,
fortaleça a economia e melhore a qualidade de vida da população. Comprometidos
com essa visão, continuaremos liderando esse movimento com inovação,
responsabilidade e a certeza de que juntos podemos transformar desafios em
oportunidades concretas.
*André
Ricardo Telles é CEO da Ecosan, empresa de soluções sustentáveis para o
tratamento de água e recuperação de efluentes. Pós-Graduado em Inovação na
Universidade CUOA na Itália, com MBA pela FGV, Telles já publicou livros no
Vale do Silício pela IBM-USA e está à frente de inovações que transformam
desafios ambientais em soluções de engenharia eficientes e sustentáveis.
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