Domingo, 26 de abril de 2026 - 08h05

Os partidos políticos
encontram-se abertos a todos; assim como clubes ou associações culturais.
A entrada é simples:
basta ser proposto; o que não é difícil...
Ilustre abade da Igreja
de Santo Ildefonso, no Porto, quando lhe diziam: - Na sua Igreja há homens
pouco recomendáveis! Respondia-lhes, deste modo:
- "A porta
está aberta. Todos podem entrar... até os cães!..."
Hoje venho contar-vos
nobres atitudes de dois deputados socialistas, que ocuparam cargos de relevo na
“hierarquia” do partido.
Conta Pacheco de
Andrade, íntimo amigo do falecido Bragança Tender, Professor Catedrático da
Faculdade de Medicina do Porto, e deputado socialista, quando participou numa
campanha eleitoral, teve que deslocar-se a Carrazeda de Anciães. Como homem
educado, que era, cumprimentou o Presidente da Camara (CDS,), acompanhado do
líder socialista local.
Este, durante a amena
conversa, disse-lhe: “Você é um razoável Presidente; mas, favorece os
correligionários…”
O Presidente não respondeu
à provocação.
Decorrido escassos
minutos, chama os responsáveis dos pelouros para explicarem – como corriam os
serviços; e, voltando-se para o Professor, esclareceu:
- “Destes, só um é
do meu partido, porque prefiro competência á cor partidária!...”
Chegou o dia do comício,
o Professor falou da vantagem de apoiarem o seu partido, terminando deste modo:
- “Não voto aqui,
mas se votasse, escolheria o atual Presidente; e mencionou a interessante
conversa que teve.
Agora. se me permitem,
para terminar, vou falar do Dr. Cal Brandão, coofundador, e figura destacada do
partido Socialista. Ateu confesso.
Conversando com Dona Beatriz
(mulher de Cal Brandão), na presença dos filhos, contou-me o seguinte:
Andava grande rebuliço
em Corim (Maia). Influentes queriam que não saísse a procissão. Os fiéis,
aflitos, recorreram ao dr. Cal Brandão (Governador Civil,) pedindo-lhe Justiça.
Apesar ser ateu, disse-lhes: - “Os católicos têm
o direito de manifestarem a sua fé, na via publica.” E deu ordens
determinantes. E assim aconteceu.
Quando faleceu, a
família não sabia onde depositar o corpo do advogado, pois necessitava de salão
de grande dimensão, visto ser figura estimada e muito conhecida.
O padre da freguesia
disse-lhes:
- “O Senhor doutor era
ateu. Não posso nem devo abrir-lhe a igreja, mas como homem justo, que era, e
defendeu-nos em época revolucionária, cedemos, com prazer, o salão paroquial.”
Pena é que os políticos
não sejam todos corretos como estes!
Sei que ainda os há
dignos do nosso apreço, mas são tão poucos!...
Amigo avezado a
andanças políticas confessou-me:
- “Em todos os
partidos há gente boa e sincera; mas, muitos que por lá andam, são apenas
oportunistas…”
Segunda-feira, 15 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
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