Terça-feira, 21 de abril de 2026 - 08h36

O Abril Azul, mês
de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforça o
aumento na busca por diagnóstico e tratamento, especialmente entre adultos.
Estima-se que cerca de uma em cada 100 pessoas estejam no espectro, mas muitos
recebem o diagnóstico apenas tardiamente, sobretudo aqueles com menores
necessidades de suporte.
A descoberta
costuma vir acompanhada de sentimentos ambivalentes. Para alguns, há alívio ao
se compreender, para outros surgem dúvidas. Na prática clínica, é comum que
esses indivíduos relatem dificuldades no trabalho, nos relacionamentos e na
saúde mental, além de sensação de inadequação, desafios na comunicação social e
esgotamento emocional.
Um dos fatores
associados ao diagnóstico tardio é o “mascaramento”, esforço contínuo para se
adaptar a padrões sociais. Embora favoreça a integração, pode gerar altos
níveis de ansiedade, depressão e burnout. A sobreposição com TDAH e transtornos
de ansiedade também contribui para atrasos na identificação do TEA.
O diagnóstico é um
ponto de partida, não uma solução imediata. Ele não elimina dificuldades, mas
permite compreendê-las e desenvolver estratégias mais adaptativas. O TEA é uma
condição do neurodesenvolvimento marcada por diferenças na comunicação, na
interação social e por padrões comportamentais mais rígidos. Não se trata de
incapacidade, mas de um funcionamento diferente.
Sentimentos como
alívio, confusão e insegurança fazem parte do processo. Por isso, desenvolver a
autorregulação emocional é fundamental, já que dificuldades nessa área impactam
diretamente a vida cotidiana e os relacionamentos.
A família também
exerce papel central. Embora sentimento de culpa seja comum, o foco deve estar
no acolhimento e no suporte. Em muitos casos, familiares também precisam de
acompanhamento psicológico para lidar com o impacto do diagnóstico e com os
desafios do cotidiano.
Mais do que um
rótulo, o diagnóstico representa um ponto de virada. A Terapia
Cognitivo-Comportamental, aliada à psicoeducação, auxilia no manejo emocional,
na organização da rotina e no desenvolvimento de habilidades sociais,
promovendo mais qualidade de vida e segurança para os próximos passos.
*Ellen de O.
Moraes Senra é Psicóloga Clínica (CRP 05/42764), Especialista em Terapia
Cognitivo Comportamental e Terapia do Esquema, Formação em TDAH adulto e
Pós-graduação em TDAH avaliação e intervenção. Ellen também é CEO do Espaço
Psicontemplando, autora de livros infantis na área da psicologia e coordenadora
editorial de títulos diversos.
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