Sábado, 21 de outubro de 2023 - 12h47

A inclusão escolar é uma grande
conquista para a educação, pelo reconhecimento e aceitação da diversidade nas
escolas. Porém, continua sendo um desafio para os professores que, muitas
vezes, não contam com o apoio necessário para superar as dificuldades que
encontram em sala. Família, escola e profissionais especializados devem
trabalhar juntos para evitar erros que podem atrasar a inclusão de alunos com
necessidades educacionais específicas.
A educação inclusiva precisa de um
planejamento adequado. Logo, o professor precisa conhecer o aluno,
suas características, habilidades, dificuldades e necessidades para
considerá-las no seu plano de aula. Um planejamento pedagógico adequado cria
estratégias diferenciadas para abordar o conteúdo que será trabalhado em sala.
Para isso, o professor precisa do apoio da família e de profissionais que
atendam o aluno com necessidades específicas, para juntos, pensarem nas
melhores estratégias.
Quando os professores encontram
estratégias que funcionam com um aluno, podem cair no erro de acreditar que
elas serão eficazes com todos que apresentam a mesma dificuldade. Porém, muitos
estudantes, especialmente aqueles com deficiência ou transtorno, requerem
abordagens diferentes conforme suas necessidades. A comunicação aberta entre
família e escola é essencial para evitar esse erro.
É comum que os professores, num
primeiro momento, enxerguem seus alunos com dificuldades de aprendizagem, como
menos capazes. Isso acontece quando faltam informações sobre a criança, seu
diagnóstico e suas características mais comuns. No entanto, é preciso confiar
na capacidade de seus estudantes de aprender, independente das dificuldades.
Mostre que acredita neles!
Priorizar a socialização é um erro
muito comum. Existe uma diferença entre integrar e incluir. Integração
considera suficiente a presença de pessoas com necessidades específicas em um
ambiente. Já a inclusão é a inserção total, com interação, participação e
aprendizagem de todos. Por exemplo, o conteúdo trabalhado em sala deve ser
ensinado para todos, ainda que com estratégias diferenciadas. Isso é
inclusão.
Já a avaliação deve ser feita de acordo
com a evolução e progresso, e não de forma homogênea. Por exemplo, segundo a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a análise do desempenho do
aluno deve ser contínua e cumulativa, onde os aspectos qualitativos prevaleçam
sobre os quantitativos. Melhor do que comparar, é reconhecer o que cada um
aprendeu e conseguiu avançar diante das dificuldades.
Cometemos equívocos pois somos humanos,
isso não desqualifica nenhum professor. O mais importante é refletir sobre os
erros e reconhecer quando eles ocorrem na prática da inclusão, para poder
evitá-los e superá-los.
(*) CEO do Instituto NeuroSaber, Luciana Brites é autora
de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. É especialista em
Educação Especial nas áreas de Deficiência Mental, Psicopedagogia Clínica e em
Psicomotricidade, além de ser Mestra e Doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento.
É também organizadora do evento NeuroMeeting, que acontece de 27 a 29 de
outubro (https://neuromeeting.com.br/).Erros que atrasam a inclusão escolar
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